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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

SEXTA FEIRA 13 - MERDALHAS



A afirmação, de Nelson Rodrigues, que o brasileiro tem complexo de vira lata, não pode ser aplicada, em nenhuma hipótese, aos produtores de vinhos nacionais.
 

Os nossos gloriosos industriais vinícolas, caso portadores de algum complexo, jamais será o de vira latas, mas de superioridade.

Qualquer barra-bosta, que resolva abraçar a viticultura, em três ou quatro anos já se considera e é aplaudido, na pior das hipóteses, como um novo Angelo Gaja.

Exagero meu?

Lembram daquele lambe-lambe que, depois de visitar a França e beber algumas garrafas de Pinot Noir, voltou para o Brasil, abandonou tudo (o que nunca teve) para se dedicar ao vinho?
 

Pois bem, o Marco Danielle, dos mil nomes e centenas de picaretagens, em poucos anos se transformou, de lambe-lambe e comprador de uvas da Lídio Carraro, em empresário vinícola e proprietário de vastos vinhedos.
 

 Conquistou, doando algumas garrafas e muita conversa fiada, meia dúzia de críticos palermas (Didu Bilu Teteia, sempre presente) e, hoje, consegue vender um ridículo Pinot Noir por "bourguignons" R$ 220 (56 Euros)

Querem mais?

Vilmar Bettu, um dos maiores ícones dos eno-tontos brasileiros, cobra R$ 100 para que se tenha acesso à degustação de seus vinhos.
 

No final da degustação, quando os eno-tontos já estão de porre e quase inconscientes, o "mago" das vinhas, já dominador de corações e mentes alcoolizadas, empurra suas garrafas por R$ 200-300-400 e até por R$ 500.
 

Mais?

Lembram daquele otorrino que resolveu cultivar vinhas em Cocalzinho (GO)?

Pois bem, o nosso Cristovão "garganta profunda" Colombo "descobriu", em Goiás, um paraíso vinícola.
 

Clima perfeito, terreno único, assistência técnica de primeira qualidade, conhecimentos enológicos ímpares, deram vida ao fabuloso "Intrépido".

O "Intrépido Syrah", uma das maiores porcarias vinícolas que já botei na boca, custa R$ 169.

Não tenho palavras e nem coragem para falar do Barbera produzido pela mesma vinícola... a Barbera não merece ser tão humilhada.

 Poderia ficar escrevendo horas sobre os caríssimos quase-vinho que nossos empresários vinícolas, com pontualidade quase suíça, apresentam ao mercado.

Quando um produtor é "descoberto", fora do eixo gaucho - catarinense,  ganha espaço na mídia e é reverenciado como um gênio das rolhas.

Depois de Cocalzinho chegou a vez e a hora de mais um "Premiado Vinho Nacional".
 

A nova  descoberta enológica, desta feita, nasce nas mágicas terras de Espírito Santo do Pinhal.

A anônima cidade, de Espírito Santo do Pinhal, em pouquíssimo tempo se transformou em mais uma terra abençoada pelos deuses das uvas.

A Vinícola Guaspari, escolhida e eleita pelos espíritos, recebeu um raio de luz indicando o recôndito e perfeito caminho das vinhas.
 

 Em poucos anos (9) a Guaspari já conseguiu atingir níveis de qualidade que aqueles bobões franceses demoraram séculos para alcançar e suas garrafas já ostentam preços que deixam os colegas picaretas do sul parecendo o Hulk: Verdes de inveja.

A Guaspari, para justificar os preços abusivos, alardeia que os líquidos engarrafados em Espírito Santo do Pinhal ganharam, por dois anos consecutivos, medalhas no "Decanter World Wine Awards".
 

O que a Guaspari deixa de informar: A Decanter distribui todos os anos, algo como 14.000 "merdalhas" aos participantes do concurso e mais:  Em 2017 foram "merdalhados", além dos brasileiros, os famosíssimos vinhos do Azerbajão, Bolívia, Chipre, Índia, Japão, Cazaquistão, Marrocos, México, Tailândia, Turquia etc.
 

Pesquisei a lista dos vinhos premiados dos países tradicionais (França, Itália, Espanha, Portugal) e não encontrei, na relação, nenhuma vinícola expressiva ou importante.

Por que será?

 Pelo simples fato que nenhum produtor, sério ou renomado, participou do espetáculo circense.

A Guaspari gastou uma grana preta para concorrer, mas não se preocupem..... já recebeu de volta, o que gastou com juros e correção para ninguém botar defeito.

O que a Guaspari, críticos, blogueiros, revistas etc. não revelam é o volume de dinheiro que alimenta a picaretagem do sempre presente Steven "espúrio" Spurrier
 
 

 Acompanhem alguns cálculos

O total de vinhos participantes (unidades de garrafas), em 2017, foi de (+ ou -) 15.000.

A inscrição de cada unidade custa 126 £ + 20% de IVA.

126 + 20% = 151,20 £

151,20 X 4,5 = 680,40 R$

680,40 X 15.000 = 10.206.000 R$.

Bela bolada, não é?

Mas a picaretagem não para por aí, continua.

Para que se tenha uma idéia do faturamento, até aqueles selos, da "Decanter World Wine Awards", que são colados nas garrafas "merdalhadas", custam 58£ (R$ 260) o milheiro.

Vejam:

"DWWA 2017 Gold GENERIC - Printed in rolls of 1000 stickers

£58.80"

Se alguém estiver com o saco vazio e conseguir descobrir quantos milhões de garrafas espalhadas pelo mundo ostentam o "Selo Merdalha" poderia nos brindar com números ainda mais significativos.

Perceberam o quanto vale ser premiado por Steven "espúrio" Spurrier e Cia?
 
 

Merda nenhuma!

Enquanto isso um pequeno exército de idiotas estufa o patriótico peito e, alegremente, paga uma grana preta (170 R$) por um Quase-Syrah "merdalhado" Guaspari  

Dionísio

 

5 comentários:

  1. Bom dia, concordo com quase tudo, principalmente porque acho o brasileiro está eufórico demais com seus quase vinhos, exageram em elogios em vinhos que não valem nada.
    Porém já bebi alguns, muito poucos, vinhos espumantes nacionais bons. Digamos, vinhos bebíveis, mas de maneira nenhuma comparados com os grandes vinhos espumantes do mundo. Apenas vinhos que podem ser bebidos para matar a sede, ou como entrada em algum evento, ou em casa em um dia quente sem compromisso na beira da piscina. Isso e acabou, sem pretensões.
    Esse Gaspari não conheço, não quero conhecer e tenho raiva de quem conhece.
    Quanto aos vinhos do Marco Danielle, já bebi alguns vinhos potáveis, não sou um mero iniciante e bebo muito borgonha, por isso não acho que seus vinhos podem fazer frente a renomados e importantes vinhos dessa região, mas ele tem sim alguns rótulos de qualidade, como eu já pude averiguar.
    Abraços.

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    1. Engano seu! Os vinhos do Danielle dos mil nomes, fazem frente aos da Borgonha: Custam mais. Quanto a qualidade, eu levei duas garrafa do tormentoso lambe-lambe para serem degustados, por profissionais, na Itália e veja o que aconteceu
      http://baccoebocca-us.blogspot.com.br/2016/05/fa-cagare.html

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  2. medalha de ouro para esse post, Dionísio

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  3. Fala, Di. Quanto mais conheco vinhos da california, mais tenho a conviccao que esses julgamentos de paris foram uma cascata pior que a de 7 quedas.

    Em relacao as medalhas, so mesmo um eno-chifrudo para cair nessa. Infelizmente esta lotado deles por ai.


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  4. O Espúrio Spurrier é um Bilu Teteia que deu certo (picaretagem é com ele mesmo.)Só imbecil acredita, ainda, em concurso e medalhas. Abraço

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