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terça-feira, 30 de maio de 2017

O NARIZ



Quando leio as notas de degustação e o que os nossos sommeliers conseguem encontrar, em uma simples taça de vinho, morro de rir.

Framboesas, mirtilos, morango, abacaxi, manga, flores brancas, flores vermelhas, acácia, ervas mediterrâneas, alecrim, endro, tomilho, feno, tabaco, etc. brotam, magicamente, nas descrições olfativas e fico imaginando o quanto nossos valorosos profissionais são mal aproveitados e o tempo que perdem escrevendo e descrevendo suas descobertas em blogs de quinta categoria.
 

Um exemplo: Nosso "Nariz-Mor", Manoel "Escalador de Cruzes Medievais" Beato, o único nariz do mundo que consegue encontrar "aroma de ouriço do mar" em uma taça de vinho, deveria emprestar suas narinas abençoadas para um dos "Consorzio Del Prosciutto" (Consorcio do presunto) italianos.

Há vários: Parma, San Daniele, Modena, Toscano etc.
 

Alguém já deve acreditar que enlouqueci, mais uma vez, mas devo afirmar que estou com minha saúde mental quase perfeita.

Uma das mais antigas profissões (já existia na antiga Roma) é a do "Provador de Presuntos".

O "Provador de Presuntos" é um profissional de rara habilidade e incomum percepção olfativa, pois, a "degustação" é feita somente com o nariz.
 
 

O profissional perfura o presunto com uma agulha de osso de cavalo e em seguida a leva ao nariz para "cheirar" a qualidade.

O olfato do nosso profissional deve saber identificar, com precisão, se os aromas estão corretos ou defeituosos antes de liberar, ou não, a peça para a marcação com o selo do "Consorzio" e comercializada.

Não há escola, não há especialização, mas não é uma profissão que se aprenda sozinho.
 

É necessário um longo e cuidadoso treinamento.

Geralmente o novo "provador" e selecionado e treinado pelo "provador" mais antigo do consórcio que, aos poucos, lhe revelará todos os segredos da profissão

Um dos segredos é saber o ponto exato onde furar o presunto para perceber, com o olfato, qualidades ou defeitos.

É uma tarefa de grande responsabilidade da qual depende o sucesso ou fracasso de toda a produção.
 

O consumidor italiano é um profundo conhecedor de presuntos (come presunto desde criança) e sabe distinguir a qualidade ou os defeitos.

Se a indústria brincar, de JBS, se ferra.

 Por falar em JBS.... Nossa empresa, "orgulho nacional", comprou, por 100 milhões de Euros, a italiana "Rigamonti" que produz grande variedade de produtos embutidos
 

O provador fura e examina cerca de 3.500 peças por dia.

Um ambiente com temperatura estável, o silêncio e a concentração, são requisitos necessários para o bom êxito do trabalho do provador.

O provador não apenas determina o grau de qualidade do presunto, mas, após a análise olfativa, recomenda se a peça deverá ser comercializada com ou sem osso e qual o tempo de cura mais adequado.  
 

O "cheirador de presuntos" e a agulha de osso de cavalo são duas provas que a tecnologia pode muito, mas não pode tudo: Nenhuma tecnologia consegue substituir os sentidos humanos e nem foi encontrado um material que consiga reproduzir a porosidade e elasticidade do osso do cavalo.

Bacco

 

 

 

  

domingo, 28 de maio de 2017

UMA GARRAFA DE 300.000 EUROS


 


Qual o vinho mais caro do planeta?

Se você pensou em Château Lafitte, Romanèe-Conti, Château Margaux, Château d'Yquem etc., errou.
 

Mais uma pergunta: Você conhece a "Isola del Giglio"?
 
 

A pequena ilha italiana se tornou mundialmente conhecida quando em suas águas naufragou o transatlântico "Costa Concórdia".  

A tragédia revelou ao mundo a ilha toscana que até na Bota é pouco conhecida.
 

Quase desconhecidos, também, são seus vinhos.

Na ilha, no passado, havia uma razoável produção vinícola.

Com o turismo crescente e mais rentável, a difícil viticultura local foi, aos poucos, abandonada e hoje conta com raros produtores que cultivam poucos hectares.
 

 

A "Ansonica", casta preponderante na ilha, nunca revelou vinhos maravilhosos, únicos, inesquecíveis, aliás, as garrafas produzidas na Isola del Giglio nunca conseguiram ultrapassar a soleira do razoável.

Como todas as castas brancas toscanas a "Ansonica" revela vinhos que não fazem falta.
 

Certo?

Errado!

O vinho mais caro do mundo é justamente produzido com "Ansonica" na Isola del Giglio.

Pier Paolo Giglioni, empresário de Montepulciano, especializado em vender, para estrangeiros abonados, propriedades rurais na maravilhosa "Val D'Orcia" (San Quirico, Montalcino, Pienza, Montepulciano, Bagno Vignoni, Castiglione D'Orcia etc.) resolveu vinificar na "Isola del Giglio".
 

A primeira safra, de 600 garrafas, data de 2014.

Aproveitando seus relacionamentos internacionais, Giglioni promoveu, na ilha, um leilão, que envolveu, além de convidados, 600 wine-club coligados em streaming.
 

A terceira garrafa de Ansonica, "Perseo&Medusa" (é assim que se chama o vinho) foi arrematada por um investidor de Xangai por míseros, 300.000 Euros.

Sim, você leu corretamente: 300.000 Euros.

O vinho é vendido em uma elegante maleta que contém 2 garrafas: Uma garrafa é para beber outra para guardar como investimento.
 

Ah, sim..... Um belo bracelete numerado acompanha cada garrafa.

Esta é mais uma prova que há um mar de idiotas abonados que pode limpar o rabo com dinheiro sem sentir dor ou remorso.
 

Sinceramente, gastar 15, 20, ou 30 mil Euros por uma garrafa de Romanée-Conti já é uma parvice, mas pagar 300.000 por um vinho da "Isola del Giglio" é uma imbecilidade total e absoluta.

Faço uma aposta: Não vai demorar muito para aparecer uma garrafa gaúcha, de misteriosas castas (mínimo 12), única, exclusiva, maravilhosa, embalada em uma caixa de madeira, interior de veludo, que ao abrir reproduzirá o hino nacional e que custará R$ 3.000.
 
 

Não sei quem será o primeiro produtor picareta que tomará a iniciativa, mas..... quem viver verá.

Bacco

quinta-feira, 25 de maio de 2017

CHASSAGNE-SHINING


 


Você sempre sonhou em conhecer a Borgonha, beber, todos os dias, seus grandes vinhos, provar os pratos da rica gastronomia regional e, quem sabe, viver em uma das calmas, lindas e famosas aldeias da Côte D'Or?

Conhecer, beber seus grandes vinhos e apreciar a gastronomia local é viável, possível..... dispendioso, mas viável e possível.

Viver, em uma calma aldeia da Côte D'Or, nem pensar.
 

Depois de um mês, morando, por exemplo, em Chassagne-Montrachet ou você vira alcoólatra, se suicida, morre de tédio, ou se muda, desesperado, para Beaune ou Dijon.

Enlouqueci?

Não, nem um pouco.

Antes de amaldiçoar o Brasil, suas caóticas e perigosas cidades e se transferir, de mala e cuia, para Puligny-Montrachet, Saint Aubin, Chassagne-Montrachet, Pommard, Vougeot, Chambolle-Musigny etc., algumas dicas.
                       Puligny 20,30 horas

É preciso saber que raras são as vilas que superam os 1.000 habitantes (Meursault e Volnay superam).

Quase nenhuma , pasmem , tem, sequer, uma farmácia.
                                     Puligny 20,30 horas

Bares para beber um bom vinho?

Raros, caros e em muitas aldeias não há nenhum.
                       Puligny 20,30

Resultado: Se você resolver encher a cara, em Chassagne-Montrachet, deverá levar garrafas, saca-rolhas, taça, sentar em um banco qualquer e tomar, tranquilamente, seu porre.
                       Meursault 20,30 h

Em Chassagne não há um bar, em Saint Aubin, idem.

 Em Puligny há dois: O primeiro fecha as portas às 20 horas e o segundo as 22.
                       Chassagne 22 horas

Em Saint Aubin não há nenhum restaurante.

A população, de todas as vilas produtoras de vinhos famosos, é composta por vignerons que dormem cedo, cedo acordam e não são, exatamente, lembrados por suas intensas vidas sociais.
                                      Puligny 22 horas

Um pouco mais agitada, com seus 1.400 habitantes, Meursault acolhia três bares.

Um fechou e os outros dois encerram as atividades bem antes da meia noite.

Estou relatando a vida noturna da primavera e verão.
                       Puligny 22 horas

 No inverno?

Bem no inverno.... Você tem presente o personagem vivido por Jack Nicholson em "Shining"?

É isso aí!

Estou exagerando?

Veja as fotos que bati as 20 e às 22 horas e Puligny-Montrachet e depois tire suas conclusões.
                       Puligny 22 horas

Uma das raras notícias excitantes dos últimos anos, na região, foi proporcionada por um casal de palhaços brasileiros que, para recordar suas origens circenses, escalaram a cruz medieval da Romanée-Conti.
                              um babaca.....como sempre

Os palhaços serão rapidamente esquecidos e a monotonia voltará às aldeias da Côte D'Or.

Bacco

domingo, 21 de maio de 2017

MEURSAULT BLAGNY



Em um bar da "Place Carnot", bem no centro de Beaune, consultava a carta de vinhos em taça tentando encontrar algo que não apavorasse, ainda mais, o meu trêmulo e debilitado cartão Visa.

Como todos sabem, beber vinho nos bares e restaurantes da França, não é exatamente barato.
 

Uma taça vinho comum, mas comum mesmo, custa 6/8 Euros.

Uma taça de "Premier Cru" 10/15 Euros.

Segurando com força o cartão, que já queria se mandar, deixei livres meus olhos que , finalmente,  encontraram um "Meursault-Blagny" 1er Cru por 8 Euros.

Meursault-Blagny?
 
 

Juro que, até aquele momento, nunca ouvira falar daquela denominação (aliás, há muitas que não conheço....)

Chamei o garçom e pedi algumas informações sobre o vinho.

O rapaz elogiou, com tanto entusiasmo, o Meursault-Blagny, que resolvi pedir uma taça.

Tomei três.......

Beber três taças não era a solução; precisava encontrar o produtor e comprar aquele vinho.
 

 Sempre achei o Meursault um grande vinho, mas, devo admitir, também, que meus Chardonnay  preferidos são os de Puligny-Montrachet e Chassagne-Montrachet.

Os vinhos de Puligny mais refinados, os de Chassagne mais possantes, os de Meursault mais amanteigados, mas, infelizmente e muitas vezes, amanteigados demais.
 

O Meursault-Blagny de Sylvain Langoureau tem "zero manteiga" e madeira perfeitamente equilibrada e integrada.

Aliás, se você é um amante da madeira, da opulência, da manteiga, nem passe pela rua da "Domaine Sylvain Langoureau": o Meursault-Blagny Premier cru "La Pièce Sous Bois" vai direto à mineralidade, não faz concessões.

O vinho do Sylvain Langoureau é severo, austero.

O "Meursault-Blagny" de Langoureau apresenta sutis aromas florais, na boca revela toda sua elegância e fineza sem dar espaço aos recursos e malandragens do enólogo para torná-lo mais agradável e fácil de beber: O Meursault-Blagny 1er Cru "La Pièce Sous Bois" é um vinho para os que entendem de vinho.
                             hahahahahahahaha

Como encontrar a Domaine Sylvain Langoureau?

Sem acesso à internet, dirigindo o carro em um mar de vinhas, sabia apenas que a vinícola era em Saint Aubin.

Arrisquei e entrei em uma das três ruas de Gamay; Gamay é um pequeno distrito da pequena Saint Aubin.
 

Não cheguei a percorrer 300 metros da "Rue de La Fontenotte" para encontrar a Domaine Sylvain Langoureau que, ironicamente, fica a menos de 100 metros da vinícola de Jean Claude Bachelet.

Devo ter passado dezenas de vezes pelo portão dos Langoureau sem dar a mínima atenção.....

Um toque de campainha foi o suficiente para ser atendido por uma mulher alta, ainda jovem e muito atenciosa.
 

Como o Bachelet me transformou em um eno-idiota, não sei, mas quando degustei o Puligny-Montrachet 1er Cru "La Garenne" e o Saint Aubin 1er Cru "En Remilly" quase morri de raiva ao recordar as vezes que saí de Saint Aubin com o porta-malas vazio.

Degustando aquele "La Garenne" de Langoureau, que nada deve aos Puligny de Bachelet, me senti um perfeito idiota.
 

A Domaine Sylvain Langoureau em seus 9 hectares, espalhados pelos municípios de Saint Aubin, Puligny-Montrachet, Chassagne-Montrachet e Meursault, produz 13 vinhos brancos (Chardonnay) e dois vinhos tintos (Pinot Noir)

Impossível, então, degustar todos, mas a qualidade do Meursault-Blagny "La Pièce Sous Bois", do Saint Aubin "En Remilly" e do Puligny-Montrachet "La Garenne" me convenceram que acabara de "descobrir" um excelente produtor.
 

Uma única saudade do Bachelet: Seu ótimo Chassagne-Montrachet 1er Cru "Blanchot Dessus".

Bacco

sexta-feira, 19 de maio de 2017

BEATO BABACA



 


Conheci o Manoel Beato quando da inauguração do restaurante "Gero" em Brasília.

Antipatia à primeira vista.

Transpirando soberba, empáfia, nosso "sommerdier mor", não fazia esforço algum para tentar esconder um ar de superioridade e quase enfado ao servir os apatetados candangos do Planalto central.
 

O cara era um poço de poses estudadas e mal interpretadas: Um canastrão medíocre e metido.

Bajulado, endeusado, venerado pelos ricaços e corruptos de plantão, que antes da "Lava Jato" não temiam os fotógrafos e abriam, sorridentes, garrafas de Romanée-Conti, Petrus, Vega Sicilia, Barbaresco Gaja, Masseto, etc., Manoel Beato acreditou no papel que interpretava: "Sou um mito"
 

Em um país de eno- cegos, qualquer Polifemo, mesmo com catarata, se considera uma águia das garrafas.

O pavão, das rolhas do Fasano, podia cometer erros bisonhos, proferir imbecilidades à vontade, ostentar conhecimentos que não possuía e posar de sumidade sem problema algum: Manoel Beato continuava a ser considerado o grande sommelier do Brasil.
 

Aqui, na terra do vinho, produzido com uva Santa Isabel, não há problema, mas na Borgonha o buraco é mais embaixo.

O nosso raquítico espantalho, que mais parece ter saído de uma cena da "Família Adams", acreditou que na Borgonha poderia continuar fazendo suas cagadas normalmente e impunemente.
 
 

Ferrou-se!

Ao escalar um cruzeiro, do século XIV, símbolo da região vinícola e tombado pela UNESCO, o Beato-Babaca, parecendo um Tarzan anoréxico e senil, finalmente, tomou um ferro que não esquecerá facilmente.

O único problema: os borgonheses nos olharão como um bando de incultos e iconoclastas terceiro-mundistas.

Num português claro: Asnos
 

Para mim, o "sommerdier" babaca do Fasano, já deveria ter sido soterrado e esquecido quando escreveu essas três imbecilidades que antecipavam a ridícula trepada na cruz medieval. 

Divirtam-se....

Porque este 1982 não tem 100 pontos, indagou um amigo depois do primeiro gole. Um Haut Brion gustativa e olfativamente sublime, com aquele sabor de mel de estrebaria, ou seja, geléias e licores de frutas em meio fumaça de charuto num fim de tarde ao lado de um estábulo. Talvez por isso, por já estar no seu apogeu, diferentemente dos outros 1º cru da mesma safra, tais Mouton, Lafite, Latour, que precisam pelo menos 10 anos mais para seus apogeus. Pois é, tão bom assim, estando tão jovem, talvez não mereça 100, mas, quem sabe Parker ouça nossas impressões e o promova para 99,5. Rss  Seguir 

 

 

 

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Eis o Bandol uva mourvèdre ao lado do Cornas 87 também velhinho fino e mais forte,uva Syrah, ambos da mesma região Rhone http://t.co/9ctkMUp about 15 hours ago via Twitter for iPhone
 

Velhinho Ch Latour 80 deleitosamente evoluído: cheira peixe de rio. Barro, metálico. Pimenta seca. Outras especiarias. Firme forte fino 12:26 PM Mar 8th via Twitter for iPhone
 

Dionísio.


domingo, 14 de maio de 2017

O MONTRACHET DO LULA



 

Os almoços das sextas feiras , quando estou em Brasília, apesar do cada vez menor número de participantes, continua sagrado.

Alguns convivas morreram, outros já não suportam minhas idéias e, por outro lado, percebo que, para mim, também, é sempre mais difícil aceitar diversidades.

Mas três ou quatro gatos pingados ainda se reúnem para comer, beber e falar mal dos que não estão presentes.

Quando não criticamos os ausentes o prato favorito é a política.

Em uma discussão, no final do ano passado, profetizei que o Lula estaria atrás das grades em janeiro de 2017.

Discussão acalorada, xingamentos, provocações e, finalmente, a aposta.

"Aposto uma garrafa de Montrachet que não vais ser preso".
 
 

Confiante na celeridade de nossa justiça e com o álcool me turvando o cérebro, não pensei duas vezes e......  em março, puto da vida (aprendi com lula), paguei a aposta.

Outra sexta feira, outro almoço, outra aposta com o mesmo amigo.

O amigo apostou e perdeu o mesmo Montrachet, que me havia "roubado" ao teimar e errar o nome do ator de um filme.
 
 

"Vamos acabar com as apostas e beber o Montrachet que, agora, é novamente meu. No próximo almoço você traz o meu Montrachet, um seu Grand Cru e fazemos uma bela festa."

Todos concordaram e, na sexta feira seguinte, fizemos o almoço na casa do amigo que, além de servir o "Montrachet Jaques Prieur", abriu um "Corton-Charlemagne" 2012 da vinícola Chapuis.

Resultado: O Corton-Charlemagne deu um banho no Montrachet.

Apesar de custar muito menos do que o Montrachet (1/4), aquele Corton-Charlemagne revelou aromas mais sutis, elegantes, na boca maior frescor, complexidade e harmonia.

Um grande vinho!

Quando o Marc Morey revelou sua preferência pelo Puligny-Montrachet Premier Cru "La Truffiere", me deu um estalo: "Dane-se o Bachelet e seu Chevalier Bâtard Montrachet! Vou procurar o Chapuis".
 

Para ir de Chassagne-Montrachet até Aloxe-Corton é preciso atravessar Beaune, mas os pouco mais de 20 km dirigindo entre vinhas compensam a chatice e o trânsito intenso da capital da Côte D'Or.

Aloxe-Corton não exatamente uma metrópole.

 Aloxe-Corton é um vilarejo com menos de 150 habitantes e em três minutos encontrei a "Domaine Chapuis".
 
 

 Toquei a campainha e, pra variar, ninguém atendeu.

O enorme portão de ferro não estava trancado.

Com audácia e coragem, próprias dos "enófilos desesperados," forcei o portão, o deixei entreaberto, entrei com cuidado e pronto para correr caso aparecessem alguns cachorros.

Bati com vigor na porta da adega e em poucos segundos apareceu o senhor Maurice Chapuis.
 

Homem alto, corpulento, de meia idade e, aleluia, sorridente.

Expliquei de onde vinha, o quanto me impressionara seu vinho e perguntei se poderia comprar algumas garrafas.

O sorriso se abriu mais ainda e, sem delongas, descemos os numerosos degraus que nos separavam da adega.
 

Adega típica da Borgonha: Escura, baixa, fria e repleta de barriques.

Degustação de alguns vinhos, inclusive de um ótimo "Corton" tinto.

Um pequeno parêntesis: Todos os Grands Crus da Côte de Beaune se localizam nas terras de Puligny-Montrachet e Chassagne-Montrachet?

Não!

Montrachet, Bâtard-Montrachet, Chevalier-Bâtard-Motrachet, Bienvenue-Bâtard-Montrachet e Criots-Bâtard-Montrachet, colados uns aos outros, ou separados apenas por um muro ou uma estradinha, pertencem aos municípios de Puligny e Chassagne, mas em Aloxe-Corton há dois "Grands Crus": "Corton" (branco e tinto), "Corton-Charlemagne".
 

Menos badalados que os primos de Puligny, Chassagne e os grandes tintos da Côte de Nuits, Corton e o Corton-Charlemagne são duas pérolas vinícolas de primeira grandeza.

Um bom papo, três degustações, uma das quais de um ótimo "Corton" tinto, um aperto de mão e seis garrafas do soberbo Corton-Charlemagne 2014 de Maurice Chapuis, foram para o porta-malas do carro.

 
Na próxima matéria: Meursault-Blagny

Bacco