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quinta-feira, 30 de junho de 2016

DJOKOVIC


 


Produzir vinho é o sonho de muita gente famosa.

O vinho possui um poder sedutor que, com muita frequência, hipnotiza as mais diversas personalidades.
 

Gerard Depardieu, Brad Pitt, Sting, Madonna, Antonio Banderas, Andrea Pirlo, Andrés Iniesta e muito outros foram "picados" pelo mosquito das vinhas.

A lista de VIPS é enorme e nela há políticos, atores, empresários, cantores, estilistas, esportistas, porno star (lembram da Savanna e o porno Brunello do Galvão Bueno?).
 

O último atleta, que sucumbiu ao charme do vinho, foi Novak Djokovic.

Djokovic comprou, recentemente, 5 hectares de um antigo e abandonado vinhedo na Sérvia e mais exatamente na região de Sumadija.

O encarregado e responsável da reimplantação das vinhas, será o tio Goran.

Novak não declarou se pretende apenas "brincar" de viticultor ou se deseja explorar sua grande popularidade e criar uma etiqueta para alcançar o mercado mundial.

Se optar pela segunda opção deverá ficar nas quadras por mais alguns anos: As vinhas demoram, pelo menos, cinco anos para produzir, comercialmente, vinhos importantes.

O único caso, que eu conheço, de um produtor que em três anos conseguiu resultados que ofuscaram, segundo o eno-palhaço Bilu Didu Tetéia, os Pinot Noir da Borgonha, foi o não menos palhaço "Dani Elle dos Mil Nomes e Nenhuma Vergonha".
 

 Novak Djokovic não é um palhaço.

 Novak é um grande e sério esportista que certamente fará mais um "ace", desta feita, nas vinhas.

Dionísio

terça-feira, 28 de junho de 2016

AI,AI, AI......"AIAS" I


O que mais me desanima, no mundo dos vinhos, é ler os comentários e opiniões dos enófilos, críticos, sommeliers e jornalistas do Brasil.
 

No pequeno universo nacional (o consumo no Brasil não alcança os 2 litros per capita/ano) quem é cara de pau, espertinho, vigarista, faz a festa.
 
 
 

A imprensa "especializada", que já pariu, entre outras "gemas", Jô Barros e Aldo Assada, continua endeusando profissionais que não seriam sommeliers nem em botecos das periferias de Paris ou Milão.

..... E por falar em Assada, reveja esse patético vídeo 

   Nossos "profissionais Google", sempre manipulados, comprados e comandados por importadores e produtores, não tem independência (coragem, nem se fala) para criticar nem uma garrafa de Barbera Perini (a pior que já tentei beber).

 Quando a etiqueta é cara, badalada, premiada, então.....

Nas degustações, de garrafas caras, nossos "profissionais" já entram predispostos a elogiar e literalmente se babam de prazer ao ver, por exemplo, um Ornellaia.
 
 

 Uma única voz que emita um pensamento original, uma crítica inteligente ou, pelo menos, declare algum "mas"?

Nunca!

Se for caro, é bom e estamos conversados.

Todos parecem vacas de presépio balançando a cabeça, positivamente, aceitando, sem questionar, uma verdade absoluta.

É errado!


Quem segue esta linha, "falta de opinião própria", nunca sairá da eno-infância e será sempre um eno-babaca e um "sommerdier" de.....

Querem um exemplo?

Quantas vezes você já bebeu um Sassicaia, Solaia, Ornellaia, ou um dos incontáveis e caríssimos "AIAS" que os nobres e espertos produtores toscanos "empurram" em nos todos?


Uma, duas, três, quatro vezes?

Nem o Beato Salu e mais meia dúzia de "sommerdiers", de restaurantes "fashion", que bebem (de graça) fundo de garrafas que os magnânimos clientes deixam como gorjetas, saberiam identificar, às cegas, qualquer uma das etiquetas citadas (o Assada nem distinguiria um branco de um tinto).

Não conseguiriam identificar, mas teriam orgasmos múltiplos à simples citação de um "AIA" qualquer.

São os enófilos pre-condicionados, os enófilos portadores de acefalia enológica, enófilos "vaca de presépio".
 

Não sabem se realmente o "AIA" é um bom vinho, se expressa um "terroir", se vale o quanto custa e, numa degustação às cegas, o confundiriam com um simples Bordeaux de 20/30 Euros.

Os eno-tontos aceitam, cegamente e como verdade absoluta, aquilo que a crítica, regiamente paga, conseguiu introduzir em suas ocas cabeças.

Os eno-tontos, adoradores das etiquetas perdidas, são o sonho secreto de qualquer produtor vinícola.

Nunca beberam um Romanée-Conti, mas o Romanèe-Conti é o melhor vinho do mundo.

Nunca beberam um Motrachet da Domaine Romanèe-Conti, mas o Montrachet da Romanèe-Conti é o melhor Chardonnay do planeta.

Nunca beberam um Masseto, mas o Masseto é um soberbo Merlot.
 

Bastaria colocar um Cabernet Sauvignon, mediano, em uma garrafa de Sassicaia para provocar, já no primeiro gole, suspiros de fazer inveja a um asmático.

O mais interessante é que uma considerável parcela, das etiquetas citadas ,e outras que não mencionei , é falsificada.

Os eno-tontos compram, pagam uma fortuna, bebem, se encantam e elogiam, muitas vezes, vinhos baratos do Marrocos,  Argélia , Sicília, Espanha etc..

Sabem por quê?

Os eno-tontos não entendem de vinhos; os eno-tontos bebem etiquetas que o Parker ou outros gurus de plantão recomendam com  seu famosos "pontos" (quem sabe, vírgulas), que a Wine-Especuleitor indica, que ganham 3 bicchieri do Gambero Rosso etc. etc. etc.

"Maravilhoso", "Fantástico", "Meu sonho de consumo"

Pergunta: Quantos "experts", sommeliers e críticos brasileiros conhecem Bolgheri?

Quantos conhecem a verdadeira história vinícola de Bolgheri e arredores?

 
Quantos indagaram por que somente há castas internacionais na Bolgheri vinícola?

Para comentar vinho, com honestidade e competência, é preciso beber vinho, mas é preciso, também, conhecer a região onde é produzido, seu "terrior", a cultura enológica local, tradições e, especialmente, as malandragens marqueteiras.

Sem os conhecimentos, acima, os sommeliers, críticos, experts, jornalistas etc. serão sempre e apenas vacas de presépio, "profissionais Google" e teóricos parkerzianos de meia tigela.

Dionísio

quinta-feira, 16 de junho de 2016

MONTEPULCIANO D'ABRUZZO RISERVA PRAESIDIUM



 Se em Goiânia conheci os vinhos abruzzesi, foi em Chiavari que provei um grande Montepulciano D'Abruzzo.

Beber bem, em Chiavari, não é um problema.

Há o "Defilla" com mais de 1.000 etiquetas, "Vino e Cucina" com uma das mais inteligentes cartas de brancos, "Lord Nelson" e sua sofisticada adega e há o "Nanin"....

O restaurante "Nanin", um dos meus pontos preferidos em Chiavari, além da boa cozinha, "esconde", em sua adega, ótimas garrafas escolhidas com carinho pelo chef Marco Perrone.
 

Marco, grande apreciador e conhecedor do assunto, pode discorrer, sem cansar o ouvinte, horas a fio sobre os grandes vinhos da Itália, França e de outros países produtores

Marco, que há anos me surpreende com etiquetas raras, interessantes e nunca banais, é um grande "fuçador" de vinhos e sua cultura vinícola faria empalidecer nossos mais premiados sommeliers.

Algumas preciosas indicações de Marco Perrone: Jean Claude Bachelet, "Etna Bianco" Benanti, "Etna Bianco" Pietre Nere, I Clivi "Brazan"......

Nunca vinhos caros ou badalados, mas sempre de grande qualidade e sábia escolha.

Antes de pedir os pratos a pergunta é sempre a mesma: "O que bebo hoje?".

A resposta é sempre igual: "Não sei.... O que você que beber?"

Marco abre a adega refrigerada, confere as garrafas armazenadas, escolhe duas ou três, discutimos o preço e, invariavelmente, a etiqueta selecionada satisfaz plenamente.

Marco, não erra uma! (tenho, "no forno" quatro matérias sobre ótimos vinhos que provei no "Nanin")

Semana passada, no almoço, onde o coelho era a vedete, Marco me propôs um "Montepulciano D'Abruzzo Riserva DOC" Praesidium.

Confissões:

1º) Confesso, que minhas preferências "tintas", recaem, na esmagadora maioria das vezes, sobre vinhos do Piemonte, Borgonha, Toscana e , quando encontro, um bom Taurasi.

2º) Por ser um "branquista" de carteirinha minhas incursões no Abruzzo sempre se dirigiram ao Trebbiano.
 

 3º) Jamais pensaria em um Montepulciano D'Abruzzo para acompanhar um "Coniglio alla Ligure" (coelho à lígure) em Chiavari.

4º) Nunca vira e muito menos provara, o "Montepulciano D'Abruzzo" da vinícola Praesidium. Minhas preferências recaíram, sempre, sobre os nada baratos vinhos do Emidio Pepe e daqueles, mais caros ainda, do Valentini.

"Quanto?" (não vou revelar quanto paguei no restaurante)

Acertamos o preço e, como de costume, aceitei a sugestão do Marco.

Grande vinho!

 
Cor rubi intensa, quase grená, límpido, brilhante.

Um nariz complexo, elegante, onde as especiarias e a pimenta preta são, facilmente, identificáveis.

Na boca, a grande surpresa.....

Não se percebem os 13,5% de álcool no "Montepulciano D'Abruzzo Riserva DOC" da Praesidium

O vinho se faz beber com extrema facilidade e prazer (vinho perigoso.... pode levar ao porre facilmente).

Taninos domados, bom corpo, equilibrado, elegante e uma impressionante persistência.

 "Montepulciano D'Abruzzo DOC" da Praesidium um vinho que entrou, pra ficar, entre os meus preferidos.

Gostaria de possuir as extraordinárias qualidades da nossa nova musa, Jô "TPM" Barros, para poder revelar mais qualidades deste belíssimo vinho "abruzzese".
 

 Infelizmente os deuses, das vinhas e vinhos da AB$, não derramaram, sobre mim, pingos de suas olímpicas sabedorias.

Recomendo, com entusiasmo, o "Montepulciano D'Abruzzo DOC Riserva" da vinícola Praesidium.

O excelente tinto do Abruzzo pode ser encontrado nas enotecas por 20/25 Euros.

Bacco.

 

 

domingo, 12 de junho de 2016

TRANSILVÂNICO, VAMPIRESCO




  "Concurso Melhor Sommelier I e II", lembram?

As matérias provocaram duas reações: Os simples mortais, os enófilos comuns, os que gostam de beber vinho em paz, concordaram com os textos.

 A panela, aqueles que gravitam ao redor dos produtores e importadores, sommeliers, AB$, crítico$, blogueiro$ chapa branca, (de)formadores de opinião etc., detestaram e desceram o cacete.

No Facebook, o melhor sommelier do Brasil, de 2016, elegantemente, diga-se, não concordou com nenhuma palavra que escrevi.

Diego defende o dele e faz bem, mas o Arrebola não convence ninguém quando afirma que os sommeliers brasileiros são realmente competentes, capazes.

 
 Ninguém, que conheça um pouco de taças e tenha mais de três neurônios, acredita que os sommeliers, do Brasil, sejam grandes e sérios profissionais.

Provas, do contrário, há inúmeras e nos já publicamos várias delas.

Mais uma prova, de incrível subserviência, falta de profissionalismo e total despreparo para a função, me foi enviada por um amigo e agora, repasso.

O texto, em que uma renomada e afirmada sommelier, descreve os quase vinhos do Atelier Tormentas (bota tormentas nisso...), de uma forma tão irreal, fantasiosa, falsa e transpirando servilismo, me deixou prostrado.

 Por enquanto passo a palavra à nossa sommerdier que nos encantará com suas descrições e depois eu volto.

Leiam

 

Que domingo mais genial foi esse. Pura emoção do começo ao fim. Começamos no restaurante Serramanna do Chef Aldo, na cidade de Canela/RS, e terminamos dentro do Atelier Tormentas, provando alguns vinhos diretamente das pipas. Nossos anfitriões, Ana Galliano e Marco Danielle, nosso muito obrigada.

 

Sauvignon Blanc 2013 - Atelier Tormentas
Monte Alegre dos Campos - Campos de Cima da Serra - RS - Brasil
Um dos vinhos mais polêmicos que degustei nos últimos tempos. Essa é a quarta vez que o degusto, e ele continua me emocionando.

Turvo (amarelo tipo cor de yakult), denso, oleoso, azedinho, mineral. Fica na boca um tempão. Realmente foge dos padrões comerciais dos Sauvignons Blancs comerciais, talvez seja essa razão de ser tão polêmico, é tipo 8 ou 80.

 

Piratini Pinot Noir 2013 - Atelier Tormentas
Piratini - RS - Brasil
Cor granada. Frutas maduras, bagaço de cana de açuçar, me lembrou um cheiro de incenso, na boca bem mineral, acidez deliciosa e profunda. Esse aqui é mó gostoso de beber e fácil de entender
.

 


Serena Pinot Noir 2013 - Atelier Tormentas
Nova Pádua - Serra Gaúcha - RS - Brasil
Cor granada. No nariz me lembrou sangue, ferrugem, bem vampiresco, transilvânico, fumaça de café coado. Totalmente caleidoscópico. Foi mudando aos poucos. Deu uma pinicadinha no nariz, cera de depilar, meio biotônico. Foi virando um steak tartare, carrrrrrne, muita carne. Esse vinho é puro deleite, pura TPM, muda de hora em hora. Ficaria dias tentando desvendá-lo.

 


Monte Alegre dos Campos Pinot Noir 2013 - Atelier Tormentas
Campos de Cima da Serra - RS - Brasil
Cor rubi meio turva. No nariz me lembrou um cheiro de arbusto molhado, talco. Cheio, denso, gordo, calorias à flor da pele. Cremoso, cremucho. Achei o mais frutado de todos e devo dizer que também é o mais didático.

 


Fulvia Pinot Noir 2012 Garagem - Atelier Tormentas
Encruzilhada do Sul - RS - Brasil
Cor granada. No nariz me lembrou um pouco o cheiro do cognac, pinica o nariz, eucalipto, cedro, carne gordurosa mal passada, um pouco defumado, tânico. Taninos esses, que afagam as bochechas e deixam saudades.

 


Fulvia Pinot Noir 2013 - Atelier Tormentas
Encruzilhada do Sul - RS - Brasil
Cor Granada. No nariz lembra manteiga noisette, para mim, o mais perfumado e aromático de todos. Lanolina, hortênsia. É o mais sério, o mais compenetrado de todas as amostras. E o mais vaidoso também. Provavelmente, deve escutar música clássica.

 


No final, da pantomima etílica, "Maquinhos dos mil nomes e nenhuma vergonha na cara", comovido (será que não ficou vermelho?), responde:
 

Marco Danielle Bacana, Jô, tua leitura foge dos clichês clássicos e divaga por um universo mais lúdico e descontraído, sem contudo deixar de lado a dose de eloquência que sinaliza o conhecimento da trilha.

Acabo de terminar as fases mais árduas da vinificação 2015 e em breve lhes enviarei minhas fotos do encontro. Foi um prazer compartilhar esses momentos.  

Os caras de pau trocam afagos e fotos...... 

Pelo jeito a caneta de vida fácil se vendeu por uma passagem, um almoço e 1/2 dúzia de garrafas (arghhhh) do Dani.

Não é necessário se gastar muito para comprar as idiotices escritas pela "genial" sommerdier Jô Barros: A caneta da Jô Barros é mais uma de vida fácil.

 A revista "Prazeres da Mesa" , pasmem, teve a ousadia de eleger Jô Barros "Melhor Sommelier do Brasil 2011".

 A melhor sommerdier de 2011 deve ter esquecido, pelo caminho e ao longo dos anos, a vergonha, o pudor e o profissionalismo.

Somente uma desonesta intelectual encontra, em uma taça de vinho, entre outra imbecilidades, "lanolina, carne gordurosa mal passada, calorias à flor da pele, transilvânico, vampiresco, cremoso cremucho, cera de depilar, TPM....... 

Mais uma prova de que os sommeliers consideram os consumidores uns idiotas de carteirinha e que podem ser manipulados a bel prazer

Mais uma prova que "Dani dos mil nomes e nenhuma vergonha" adora comprar canetas falsificadas e baratas.  

 

Dionísio.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

GRANDES VINHOS DO ABRUZZO



Você conhece os "Abruzzo e Molise"?

Já visitou esta região italiana?

Acredito que nem todos os amigos de B&B sabem do que estou falando.


Se fizermos algumas perguntas, sobre a região e seus vinhos, aos "mestres" da AB$, ou aos nossos sommeliers de araque, o resultado será sempre um silêncio sepulcral ou o cauteloso e manjado recurso de indagado da "Lava Jato": "Me reservo e direito de não responder".

Eu conheço e não preciso me calar...  
 

O Abruzzo é uma região montanhosa, do centro da Itália, famosa por seus parques e reservas que cobrem um terço de seu território, suas massa, seus cozinheiros (no vilarejo de Villa Santa Maria, além de seus 1.500 habitantes há uma das mais antigas e melhores escolas culinárias do planeta), o açafrão, os terremotos......

Lembram quando um tremendo terremoto destruiu Áquila, sua capital e maior cidade?
 

Quem nunca sentiu a terra tremer, não treme, mas eu, que fui até Aquila poucas semanas após o desastre e senti a terra balançar debaixo de meus pés, valentemente, entrei no carro e saí da cidade parecendo um foguete.

O Abruzzo não deve ser lembrado, todavia e apenas, pela triste desgraça.

Como já disse, o Abruzzo é pátria de grandes cozinheiros, ótima cozinha, massas de superior qualidade (muitos as consideram as melhores da Itália) e grandes personagens.

São abruzzesi ou descendente: O poeta Ovídio, Benedetto Croce, premio Nobel de literatura, Sergio Marchionne, presidente da Fiat, o poeta Gabriele D'Annunzio, o grande campeão dos pesos pesado Rocky Marciano (Rocco Francis Marchegiano), Dean Martin (Dino Paul Crocetti) e outros. 
 

O Abruzzo abriga em seu território, imensos parques naturais, panoramas de tirar o fôlego, montanhas imponentes e aldeias que parecem ter parado no tempo.

É impossível não se emocionar ao visitar Scanno, Barrea, Ortona, Sulmona, Pescasseroli e muitas outras localidades (eu tenho verdadeira paixão por Scanno).
 

 B&B é um blog cuja "especialidade" é comentar vinhos.

Vamos, então, deixar de lado, por enquanto, as informações turísticas e falar de garrafas.... 

Meu primeiro gole de vinho abruzzese, acredite se quiser, foi em Goiânia ainda nos anos 1980.

Havia, na capital de Goiás, uma loja de vinhos que, por razões óbvias, estava fechando as portas.

Os preços, mais que interessantes, me "obrigaram" a realizar um verdadeiro limpa de vinhos italianos e franceses.

Garrafas de Barbera, Barolo, Brunello, Soave, Verdicchio, Champagne, Chablis etc. pagas, embaladas e prontas para viajar.

Enquanto acomodava os últimos vinhos no porta malas o vendedor sugeriu: "O senhor não quer aproveitar e levar, também, algumas garrafas deste branco. Tenho três, se levar todas dou um desconto ainda maior".
 
 

 A estranha e circense etiqueta, anunciando o "Trebbiano D'Abruzzo Valentini", não me animou.

"O Trebbiano é um vinho banal e não vale o que você está pedindo".

Minhas experiências e conhecimentos, de então e do Trebbiano, não eram, exatamente, encorajadoras.

A Trebbiano, uva branca mais cultivada na Itália, além de vinificada em pureza, é adicionada à inúmeras outras castas e os resultados nunca são encorajadores.

Por um instante deixei de lado meu preconceito e cedi à insistência do vendedor: As três garrafas foram para o porta-malas do meu carro.

Não preciso dizer que o "Trebbiano D'Abruzzo", desde os remotos anos 1980, entrou a fazer parte das minhas preferências. 
 

Trebbiano D'Abruzzo: vinho sensacional, que envelhece como poucos (já bebi garrafas do Emidio Pepe de 1974 - 1980- 1990) e simplesmente, um dos melhores brancos da Itália.

Continua na próxima matéria

Bacco

 

terça-feira, 7 de junho de 2016

A GRANDE PROVA




Foi dada a partida para a "A Grande Prova de Vinhos do Brasil 2016".
 

O evento, que ninguém sabe para quem e para que serve, será no Rio de Janeiro e os jurados serão as figurinhas manjadas de sempre.
 

Não vou elencar, não é preciso: são aqueles que, baba-ovos de costume, gravitam , há anos, ao redor dos endinheirados produtores de vinho.

O The Must Flatulential Copello, Danio Praga (ops) Braga, diretores da AB$, sommerdiers premiados ou descamisados, enólogos querendo faturar algum e viajar de graça, um sem número de falsos profissionais do vinho.


Todos, tem algo em comum: Jamais criticaram um vinho, principalmente, nacional.

Sabem que se criticarem perdem, imediatamente, bocas-livres, regalias, mordomias e alguns trocados.

Por razões óbvias, nos, de B&B, não fomos convidados.
 

Mais de 800 vinhos, de 110 produtores, serão degustados "às cegas" e o resultado, do concurso, será divulgado pelo anuário vinhos do Brasil.

O anuário, publicação patrocinada pela Ibravin, é lido apenas pelos jurados e pelos sócios das vinícolas vencedoras.

 
 
Estimo que atraia a atenção de 48 interessados.

Os vencedores?

Miolo, Geisse e Aurora, certamente.

 Salton? Depende..... Se soltar uma boa grana,  ta premiada.
 
 

Algumas pequenas vinícolas levarão duas ou três taças, para dar um ar de imparcialidade e demonstrar de que o concurso foi honesto e... estamos conversados.

Você, consumidor, vai ganhar o que?

Nada, como sempre.
 

Se quiser beber bem deverá gastar uma boa grana para comprar vinhos espanhóis, franceses, portugueses italianos, chilenos, alemães....

Se quiser passar raiva beberá os premiados pelo Copello & Cia.

Lembrei de um detalhe: Os organizadores deram ênfase aos números que parecem gigantescos: 856 etiquetas e 110 produtores (quase 8 garrafas, em média para cada vinícola).

Para redimensionar o "gigantismo" da prova, um dado: só na Itália há 383.000 viticultores e 25.000 vinícolas engarrafadoras.

Em qualquer feira de vinhos, em um sem número de aldeias italianas, nos finais de semanas, é possível degustar centenas de vinhos de centenas de produtores.

Você paga 5/10 Euros, ganha uma taça, bebe, se quiser, até cair. Quando e se, encontrar um vinho do seu agrado compra e leva para casa.

Simples assim.
 

 Sem alardes, sem sommeliers, sem críticos, sem prêmios, sem o Copello e sua turma, posando de demiurgo do pedaço e enchendo o saco.

Mais uma coisa: Ha uma nova categoria "Vinhos Premium acima de R$ 100".

É ali que mora o lucro.

Quem levar as taças vai faturar alto, mais uma vez, com os idiotas de plantão.

Meus palpites, realmente às cegas, dos ganhadores.

Valduga, Miolo, Lidio Carraro, Boscato, Pizzato, Dom Laurindo.

Os mesmo de sempre, os que sempre sustentam Copello & Cia e  sodomizaram os consumidores brasileiros praticando preços estratosféricos.
 

Dionísio.

 

 

 

 

 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

CAREMA II



 A produção de vinho "Carema" é pequena.

O total não ultrapassa 70 mil unidades anuais e 80%, das garrafas produzidas, saem da "Cantina Produttori del Nebbiolo Carema".
 

Desconfio da seriedade e tenho reais dúvidas quanto à qualidade dos vinhos das cooperativas vinícolas e confesso que algumas das maiores porcarias que já provei foram desovadas por elas.

Nada que possa ser comparado ao horroroso "Fulvia" do nosso "Dani dos mil nomes", mas, mesmo assim, grandes porcarias.
 

Algumas exceções, todavia, há: "Produttori del Barbaresco" e "Produttori Nebbiolo di Carema".

Quem já provou um Barbaresco "Riserva Montestefano", "Riserva Rio Sordo" ou "Riserva Asili", da "Produttori del Barbaresco", sabe do que estou falando....
 

Com os vinhos da "Produttori Nebbiolo di Carema" acontece exatamente o mesmo: As garrafas produzidas, na adega da cooperativa, esbanjam qualidade.

A cooperativa nasce, no distante ano de 1960, com 10 sócios e atualmente abriga 71 membros todos com mais de 55 anos.

A pouca renovação, a falta de interesse dos jovens, o envelhecimento dos sócios são motivos de grande preocupação e o futuro das vinhas de Carema é incerto.
 

Cuidar das vinhas de Carema não é tarefa fácil nem simples.

  A idade pesa e sem sangue novo, apenas tradição e orgulho não serão suficientes no longo prazo.

Soma-se, a todas as dificuldades de produção, o mais importante e significativo problema: O preço do Carema.

Antes de chegarmos ao preço devo salientar que o Carema é um vinho excepcional, raro, que envelhece magnificamente e sempre melhorando.
 

O Carema é difícil de produzir, de encontrar e... Bem vamos ao preço: 9,90 Euros o "Carema Classico DOC" e 14,30 o "Carema Riserva DOC".

Da pra entender quando ridicularizo o "Singular Nebbiolo" da Lidio Carraro de R$ 247,30?

O Carema nasce nas encostas do "Monte Maletto" em uma altitude que oscila entre 350 e 700 metros.

Sua vinificação e envelhecimento (mínimo 24 meses para o Carema DOC e 36 meses para a versão "Riserva") devem ser realizados apenas na aldeia.

O Carema apresenta um nariz difícil.

Sua constante mutação não me permite declarar, com sinceridade, o enorme leque aromático que este Nebbiolo desenvolve na taça.
 
 

Na boca o Carema revela todo seu terrior.

Um vinho austero, mas harmonioso, solene, grande classe e com um final maravilhoso.

O Carema merece um aplauso.
 

 Um aplauso especial, também, aos sócios da cooperativa que conseguem extrair, de um lenço de rochas e terra, um vinho tão importante.

Carema, um grande vinho.

Bacco

PS Recebi, esta semana, 6 garrafas de Carema DOC 2010. Preço? 11,30 cada. Você que pagou R$ 169 por um Fulvia não está se sentindo um idiota?