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segunda-feira, 30 de maio de 2016

CAREMA



A Nebbiolo é uma das uvas mais prestigiosas e importantes e do planeta.

A Nebbiolo não é uma uva de "vida fácil" como a Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot etc., a Nebbiolo é uma casta complicada, difícil, que raramente revela todo seu potencial fora de seu quintal, o Piemonte.

  A Pinot Noir, outra grande uva , assim como a Nebbiolo, detesta "viajar": Ama seu "habitat", seu terroir.

Não por acaso, então, que estas duas variedades somente se exprimem com total elegância e grandeza em suas regiões de origem: Piemonte e Borgonha, mais precisamente, na Côte D'Or e Langhe.

Há exceções.

Ótimos Nebbiolo, também, nascem no norte piemontês em Gattinara, Fara, Sizzano, Ghemme, Boca, Lessona e outras aldeias da região.

Os vinhos, das localidades mencionadas, que nossos sommeliers quarto-mundistas pouco o nada conhecem, são de rara qualidade e muito apreciados por aqueles que entendem de boas taças.

Um dos mais raros e heroicos Nebbiolo , que eu conheço, é o Carema.
 

Quem viaja pela E25, indo ou voltando do Monte Bianco, mal percebe a pequena aldeia, de pouco mais de 700 habitantes, bem na divisa do Piemonte e Val D'Aosta.

Apenas uma curiosidade chama a atenção dos viajantes: As vinhas e o singular método de cultivo.

Desde tempos remotos, as raras vinhas de Carema, são cultivadas em terraceamentos nas ríspidas encostas das montanhas e com sistema latada, ou pérgula como queiram.

Colunas de pedras sobrepostas sustentam as grades de madeira em que se apoiam as videiras.
 

É interessante imaginar o incrível trabalho efetuado pelo homem, ao longo de séculos e séculos, para conseguir extrair uma pequeníssima quantidade de vinho daquele lenço de terra, frio e inóspito,

É mais que sabido que grande parte da viticultura do "Alto Piemonte" (norte do Piemonte) sofreu muitíssimo com a industrialização da região.

No início do século passado a vida dos viticultores italianos nada tinha de róseo.

O baixo preço do vinho, trabalho pesado nas vinhas, dificuldade na comercialização e outros inconvenientes, levaram milhares de camponeses a trocar a pobreza e a incerteza das videiras pelo trabalho mais seguro e melhor remunerado na florescente indústria automobilística de Torino e arredores.
 
 

Para se ter uma idéia do apetite da mão de obra da indústria automotiva torinesa, é bom lembrar que, em1900, a Fiat, produziu 30 veículos empregando 150 operários.

 Em 1930 os trabalhadores já eram 22.000 e a produção alcançava as 113 mil unidades.

Mas não era somente a Fiat que precisava de mão de obra: Lancia, Itala, SPA, Lux, Diatto, Taurinia e outras indústrias automotivas absorviam mais e mais trabalhadores.
 

Como se não bastasse, além dos carros fabricados em Torino, Biella, com sua grande indústria têxtil, sugou os camponeses que sobraram.  

Com a migração dos viticultores, para as grandes cidades industriais, o abandono das vinhas não pôde ser refreado: Dos antigos 42 mil hectares cobertos por vinhas em Lessona, Bramaterra, Ghemme, Gattinara, Boca, Fara, Sizzano etc., restam, atualmente, pouco mais de 700.

Carema teve mais sorte: O Carema continua sendo produzido, desde sempre, em seus pouco mais de 16 hectares.

Qual a "sorte" do Carema?

Enquanto a indústria automobilística de Torino e a têxtil de Biella buscavam mão de obra nas cidades acima mencionadas, Carema se beneficiou coma proximidade da Olivetti.
 

A Olivetti, fundada no início do século passado, estava localizada na vizinha cidade de Ivrea (15 km).

A proximidade, entre as duas cidades, permitiu que os trabalhadores de Carema exercessem sua atividade na indústria e, nas horas de folga, trabalhassem em suas vinhas.

Um fator foi decisivo para o sucesso da dupla atividade: O tamanho das propriedades.

Para que se tenha uma idéia mais clara é preciso lembrar que a maior propriedade vinícola, de Carema, não ultrapassa os 5.000 metros (1/2 hectare).

A Olivetti, em seus tempos áureos, presenteava os visitantes (compradores, distribuidores, comerciantes, representantes etc.) de todas as partes do mundo com garrafas de Carema.

 A grande fábrica, de máquinas de escrever, ajudou, assim, na divulgação do Carema, mas a propaganda de pouco adiantou: Até hoje a produção de Carema oscila entre 60/70 mil garrafas.
 

 A dificuldade na produção, o inóspito território, a pulverização das propriedades, nunca animaram grandes vinícolas em investir no Carema.

Resultado: O Carema é produzido apenas por três vinícolas: Cantina Produttori di Carema, Orsolani e Ferrando.

Bacco

PS Aguardem Carema II


terça-feira, 24 de maio de 2016

FA CAGARE II




 

Gostaria adicionar algumas considerações à matéria anterior.

1°) Quando chegamos à "Enoteca Defilla", antes do vídeo ser gravado, Sergio Rossi detonou, sem piedade, os vinhos do Dani "dos mil nomes":

"Nunca bebi nada pior, é uma vergonha chamar isso de vinho... Se no Brasil são todos iguais deveriam continuar plantando cana de açúcar e café"...

2°) Sergio Rossi, antes de despejar as sobras dos vinhos na pia (nenhum dos convidados, da quinta feira, conseguiu beber dois goles) nos ofereceu uma taça e pediu nossa opinião.

 Provamos.

₢*#grrarg&&hhhhh!
 

  Deveria ser proibido chamar os líquidos do Dani "dos mil nomes" de vinho.

Aquilo não era vinho!

Aquilo "faceva cagare", mesmo.

3°) Não conheço Didu Bilu Teteia, nem o Ed Motta, mas não acredito que a desonestidade intelectual, do Didu Bilu Teteia, seja tão grande que lhe permita comparar o "Fulvia Pinot Noir" aos grandes Borgonha e não acredito, também, que o Ed Motta tenha a coragem de elogiar um líquido tão desprezível.

Há algo errado, podre..... Alguma coisa não bate.
 

Qualquer pessoa que tenha olfato e paladar, em condições de distinguir um dente de alho de um gomo de laranja, jamais confundirá um Pinot Noir da Borgonha com o "Fulvia Pinot Noir" do charlatão gaúcho.

É impossível!

Dani "dos mil nomes", desde o inicio de sua tormentosa aventura vinícola, envia, sistematicamente, seus vinhos, para serem degustados e comentados, para críticos famosos, sommeliers renomados e formadores de opinião.

Steve Spurrier (sempre ele...) Beato Salu, Guilherme Correa, Daniel Arraspide e outros, provaram os vinhos do Dani "dos mil nomes" e rasgaram públicos elogios às etiquetas do "Atelier Tormentas".
 

Não morro de amores por Beato Salu, Steve Spurrier etc., mas idiotas completos, eles, não são.

Podem não ser puros e ilibados, os vejo escravos de seu imenso ego, vendem sabedoria vinícola que não podem entregar, se tiver uma grana solta agarram facilmente, mas jamais poderiam elogiar os vinhos do Dani "dos mil nomes" que Sergio, Bacco e eu provamos (já bebi todas as outras etiquetas e todas "fanno cagare).

O mesmo discurso vale para Sir Edward Motta.

O Motta, depois de provar o "Fulvia Pinot Noir", nem sob efeito de alguma droga alucinógena, escreveria uma idiotice como essa
 

Leiam

 Fulvia Pinot Noir 2009 por Ed Motta:

DanielleSan   
Você simplesmente encaminhou o melhor vinho já feito no Brasil. O Fulvia 2009 é um divisor de águas, que incrível o que você conseguiu. Vou escrever formalmente sobre ele e você pode colocar no site, enfim, fazer o uso que achar melhor. Impressive! Soberbo!

Ed Motta, músico e enófilo - Via mensagem SMS por celular,  após provar o Fulvia 2009, Abril de 2011.

Qual o mistério, então?

Elementar, meu caro Watson...... o vinho não é o mesmo.
 
 
 

O vinho elogiado é "preparado" especialmente para os críticos, sommeliers, formadores de opinião etc.

Tenho um palpite: Lembram do Jean Claude Cara?

Aquele saltitante franco-brasileiro, parecido com o Topo Gigio, que tocava um restaurante na longínqua Ourinhos?

 O espertinho, um belo dia resolveu ser "expert" em vinhos, mestre em Borgonha, Serra Gaucha, literatura, eno-turismo... Um verdadeiro Bom Brill.
 
 

 Nosso "1001 utilidades" largou o boteco do interior e "estourou" nas capitais de nossa sedenta e ignara república enológica.

Pois é, nosso inquieto quase francesinho certa vez, não satisfeito com suas "1001 utilidades", inventou mais uma: Corou-se "Consultor de Vinhos" e foi dar palpites, imagine, na Borgonha, mais especificamente no "Château de Villars Fontaine" cujo proprietário é Bernard Hudelot.

Bernard Hudelot, enólogo, diplomado pela universidade de Dijon e viticultor há mais de 30 anos, esperava justamente o nosso Topo Gigio de Ourinhos para aprender como se produz vinho na Borgonha.

Mais um brasileiro que revela os segredos do vinho aos franceses.
 
 

Nosso saltitante escritor (nosso "Bom Brill" já publicou um livro sobre a Borgonha......), antes de se revelar nas letras, tentou faturar iludindo 300 eno-idiotas.

 Importou um vinho do Bernard Hudelot por 7 Euros e o vendeu por um preço indecente aos já mencionados 300 idiotas.

Onde quero chegar?

Jean Claude Cara "de pau" é amigo do Dani "dos mil nomes".
 

Quem importa trezentas garrafas de Chardonnay, do Bernard Hudelot, pode importar outras trezentas, ou mais, de Pinot Noir, do mesmo produtor e vende-las ao vivaldino do Atelier Tormentas.

 Troca de garrafas, etiquetas Fulvia Pinot Noir, novas rolhas etc. e........ Voilà.

Basta enviar as garrafas para críticos otários e aguardar os elogios.
 
 

Ótima propaganda com baixíssimo custo (6/7 mil Euros CIF)

PS Mais uma coisa: tente descobrir, no site do Atelier Tormentas o endereço da arapuca (ops) vinícola. Não vai ser fácil.

O site não declara endereço fixo nem sob tortura e quando consultado, assim, responde

Seu contato é uma honra.
Se possui um número fixo em território nacional, precisando falar não é necessário ligar para o número acima:
basta informar seu numero fixo e código de área via SMS ou e-mail e chamaremos imediatamente

E continua

Evitando o risco de extravio de mensagens de voz,
ao ligar para o número acima por favor não deixe apenas recados gravados.
Caso não possamos atendê-lo imediatamente,
envie um e-mail ou SMS apenas informando
seu número fixo com código de área.
Chamaremos assim que possível.

Nenhum contato ficará sem resposta, contudo,
 é sempre importante lembrar que os e-mails; a ferramenta de pedidos via site
e mesmo a telefonia móvel e fixa estão sujeitos a falhas.
Ainda não dispomos de um meio de comunicação infalível.
Portanto, não obtendo resposta após 24 horas de um e-mail,
pedido via site ou mensagem SMS,
queira por favor refazer o contato, pois é provável
que alguma falha técnica tenha ocorrido

 


Endereço, que é bom...... Será medo da fiscalização?

Dionísio

 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

FA CAGARE





Todos sabem que considero MAURÍCIO CARLOS HELLER DANI o maior farsante que serpenteia pelas misteriosas e pouco transparentes vinhas nacionais.
 
 

Para quem não sabe, Maurício Carlos Heller Dani é o verdadeiro nome de Marcos Danielle.

 Dani, "dos mil nomes", produz, no sul do Brasil, alguns quase vinhos que levaram ao orgasmo dois críticos de meia pataca: Didu Bilu Tetéia e "Sir" Edward Motta.

Inúmeras vezes tive o desejo de comprar os líquidos coloridos, produzidos, ninguém sabe como, pelo Dani e levá-los até a Itália para serem analisados em laboratórios locais.

Surgia, sempre,  um problema: Se eu os encomendasse, diretamente, o tormentoso, "Dani dos Mil Nomes", jamais entregaria os vinhos que produz.
 

 Dani "dos mil nomes", com os críticos e formadores de opinião, costuma enviar garrafas com etiquetas de sua vinícola, mas com conteúdo misterioso (vinho de outras origens).

O que fazer?

 Certo dia, passeando pelas páginas do Facebook, assisti um vídeo em que um membro da comunidade despejava, na pia e sem nenhuma cerimônia, um vinho do fotografo das vinhas.

O enófilo comentava, na ocasião, que o esgoto era o único lugar que aquele Pinot Noir deveria frequentar.
 

Escrevi para o realizador do vídeo, indaguei se o "exterminador" dos vinhos do Mauricio Carlos Heller Dani, Marcos Danielle etc. tinha, ainda, algumas garrafas e se as queria vender.

Resposta afirmativa, preço acordado (o mesmo que fora pago pelo "exterminador") e as garrafas, uma de Pinot Noir, outra de Sauvignon Blanc, em poucos dias foram entregues em minha casa.

Reservas confirmadas, malas prontas, garrafas bem embaladas e... lá fui eu para o Piemonte.

Alguns dias após minha chegada, em Alba, já descansado e refeito, procurei um laboratório especializado para contratar uma análise dos vinhos do nosso ex-fotógrafo.

A análise, que eu pretendia, deveria ser completa para poder revelar todas as mazelas e aditivos usados na vinificação.
 

Quando o encarregado do laboratório declarou o preço da pesquisa quase desmaiei e conclui que os vinhos do Marco "Dos Mil Nomes" Danielle não mereciam tamanha despesa.

 Resolvi percorrer uma via mais barata, mas muito eficiente: Bacco e Sergio Rossi.

Sergio Rossi ,para os que não sabem ,é o administrador responsável da "Enoteca Defilla" de Chiavari e grande amigo de Bacco.

Sergio comanda, com grande competência profissional, uma adega com cerca mil etiquetas de vinhos e outras tantas de destilados, de todas as partes do mundo.

Garrafas raras e caras de 500/1.000/5.000 Euros, convivem, democraticamente, nas prateleiras da "Enoteca Defilla", com vinhos de 10/15 Euros.

Magnum de Château d'Yquem, Monfortino, Cheval Blanc, Petrus, repousam tranquilamente ao lado de anônimas garrafas de Barbera, Verdicchio, Rossese, Pigato, Soave, Freisa etc.

Sergio conhece centenas de produtores, centenas de vinícolas, degustou um sem numero de etiquetas, nunca participou de inúteis concursos de sommeliers, mas conhece sua profissão como poucos.

Nem sempre os gostos dele e de Bacco coincidem, já tiveram várias discussões, mas ambos têm a mesma franqueza e nenhum receio de emitir suas opiniões:  Quando o vinho é bom, é bom
                                                                        Quando o vinho é mais ou menos, é mais ou menos.
 
Quando o vinho é uma merda, é uma merda.

Quem seria, então, o mais indicado para provar e julgar os vinhos do Danielle "Dos Mil Nomes"?
 

Já em Chiavari, expus minha idéia e Bacco topou na hora.

Sergio, como sempre, nos recebeu com um sorriso, ouviu atentamente, olhou para as garrafas e prometeu inseri-las na degustação da quinta feira.

Em tempo: Todas as quintas feiras, Sergio Rossi e meia dúzia de profissionais locais, se reúnem para provar as garrafas enviadas pelas vinícolas.



Se o vinho reunir qualidade, bom preço, boas condições de entrega e continuidade, etc. entra na lista de próximas compras e poderá escalar as prateleiras da "Defilla".

"Volte na sexta para saber o que achamos do vinho brasileiro".

Na sexta feira, conforme combinado, voltamos para saber o que Sergio e os amigos haviam achado do Pinot Noir e do Sauvignon do viticultor "cult" endeusado por Didu Bilu Tetéia e Sir Edward Motta
 

Sergio, no começo, tentou ser diplomático, foi evasivo, criticou mais a etiqueta do que o vinho, mas, como é do seu temperamento, não resistiu: Esculhambou os vinhos do nosso fotógrafo dedicando especial "atenção" ao Pinot Noir.

Assistam ao vídeo:
 
 
SR= Isso também, foi uma lição. Agora sei que existe uma coisa assim.

B= um vinho tão ruim assim você nunca bebeu? O pior é o branco?

SR= ...esse sujeito... que fez esta etiqueta e escreveu desse jeito....não faz sentido, todavia não havendo vinho ,mesmo que  não se consiga ler não faz nenhuma diferença.

(Algumas considerações sobre a etiqueta)

B= Em sua opinião então não é vinho

SR= Realmente não sei dizer.... é uma coisa...

B= Na sua opinião "fa cagare" (expressão italiana que substitui a menos elegante: vinho é uma merda!)

SR= Sim, sim, sim...

B= Imbebível...

SR. Imbebível.

B= Ok.

Quando parecia que encerrara suas críticas, Sergio retorna ao assunto e quase raivoso detona os vinho do nosso ex fotógrafo.

SR= Esse é imbebivel, mas lembra o Sauvignon..... existe uva Sauvignon.... Foi usada a uva Sauvignon e tinha gosto de Sauvignon, um Sauvignon ruim, mas.... Este não tinha nada, então não se pode nem dizer que era nojento..... Um líquido de cor feia....

D= Não se pode nem chamar "vinho"

SR=... nem chamar "vinho"..... Esse (Sauvignon), no entanto, é um vinho que "fa cagare" porque é um vinho que "fa cagare". Esse nem se pode dizer que "fa cagare".

Sergio agradece a experiência (nunca havia provado vinho brasileiro) e terminamos com risadas.

Dionísio

PS  A matéria continua

sexta-feira, 20 de maio de 2016

O GRAN CASA VALDUGA




O aeroporto de Brasília inaugurou, na ala de embarque internacional, uma sala VIP

Antes, a administração do aeroporto, já autorizara o funcionamento de uma loja "Duty Free".

Comparar a sala VIP e a loja de importados com as de outras capitais do mundo é passar vergonha.

A "Duty Free" se espalha por pouco mais de 80 m² e a sala VIP seria ridícula, até, para o aeroporto de Teresina.

Não sou de gastar com perfumes ou camisas Lacoste, em aeroportos, mas frequento, com prazer, salas VIP e conheço inúmeras.

 
A de Brasília é a pior!

Meia dúzia de garrafas de água, um suco de fruta, um pequeno balcão, com três bandejas de sanduíches e uma garrafa de espumante Valduga.

Sim, a única garrafa de vinho é, horror dos horrores, de "Gran Casa Valduga"

Se os passageiros "vip" são obrigados a beber o "Gran Casa Valduga" fiquei imaginando o que deveriam engolir os "Não Vip"
 

CONFISSÕES:

Confesso que há anos deixei de acreditar nos critico$ especialmente quando enaltecem e sublimam o vinho nacional.

 Confesso que há anos deixei de comprar vinho nacional até para cozinhar.

 Confesso que criei, depois de levar inúmeras bordoadas, preconceito contra vinhos nacionais e fujo deles como os petistas "fogem" de Curitiba.

Mas a solitária garrafa estava me olhando.....

"Dionísio, é de graça!"

O diabinho, dos amantes do álcool, me tentando.......

 
Depois de uma cuidadosa checada, para ver se ninguém estava à espreita, me aventurei e enchi uma taça com o "Gran Casa Valduga".

Levei a taça ao nariz e tentei extrair do espumante algum aroma. Imediatamente pensei que o ar condicionado, muito frio, atacara meu sistema respiratório.

"Gran Casa Valduga" = Aromas Zero!

Na boca a tragédia foi maior: O "Gran Casa Valduga" atacou, sem piedade, o paladar, vingando, assim, todos os vinhos nacionais que critiquei

Bem feito!

Nada, de nada; apenas um líquido insosso e gelado.

Nem a sombra de algum prazer, de alguma satisfação, de algo para ser lembrado...  Aliás, ha algo ser lembrado, sim: Nunca mais beber (nem de graça) "Gran Casa Valduga" e, se possível, outros Valduga.

O anúncio do embarque veio em meu socorro.

 Deixei a taça de espumante, quase intacta, e corri para a porta do avião.

Já acomodado em minha poltrona, a sorridente aeromoça percebendo, talvez, um ar de angustia em meu rosto, me ofereceu um lenitivo: "Blanc de Blancs" da Luiz Pato.
 

Enquanto o espumante português reordenava meu paladar e outros sentidos, mentalmente, perguntava: "Quem foi o marqueteiro picareta que inventou aquela campanha que anunciava o espumante brasileiro como Segundo Melhor do Mundo"?

Teria sido o mesmo que sugerira ao nosso ex (ainda bem) presidente Lula que o SUS era um sistema de saúde quase perfeito?

O avião estava decolando deixando para trás marqueteiros mentirosos, SUS quase perfeito e o segundo melhor espumante do mundo.

 

Onze horas, apenas onze horas, me separavam dos terceiros, quartos ou quintos melhores espumantes do mundo.

Alguma dica?

Cabochon Monte Rossa (Franciacorta)
 

 Hausmannhof Riserva Haderburg (Alto Adige)
 

Pas Dosé Cavalleri (Franciacorta)

Brut Rosé Costaripa

Dionísio

PS Acabo de tomar conhecimento que o nosso ex (ainda bem) presidente foi internado, para exames, no......... Sírio Libanês

terça-feira, 17 de maio de 2016

BARBERA BERSANO




Mal cicatrizadas as feridas da guerra de 1915/1918, a Itália, dos anos 1950, começava a lamber aquelas deixadas pelo conflito de 1939/1945.
 
 
 

Destruição, pobreza, fome, desemprego, desânimo, medo......

Uma nação onde tudo precisava ser reconstruído e repensado.

A Itália parecia uma nação que havia sido governada pelo PT.

Acredito que alguns dos lugares mais tristes e sombrios, do pós-guerra, foram as aldeias da grande planície do rio Po.

Nas longas noites de outono a evaporação das águas, dos arrozais que dominavam a planície, provocava neblinas tão intensas e espessas que era impossível se enxergar alguma coisa três ou quatro metros adiante.

A neblina doava à paisagem, já naturalmente triste e monótona, ar de filme de terror.
 

 As aldeias, imersas no cinza e silêncio da noite, pareciam imensos cemitérios.

Os raros locais onde a havia vida, intensa e barulhenta, eram as "PIOLE".

A "Piola" (singular de Piole) era o antigo e simples bar piemontês onde os homens, para esquecer a monotonia das aldeias, se reuniam.

 Na tarde-noite, a Piola era o endereço obrigatório.

 Depois do escurecer todos se encontravam no bar para jogar "Scopa", fumar sem trégua, comer "Bagna Cauda", salame, Gorgonzola e..... beber rios de Barbera.
 

Nas "Piole" a fumaça dos cigarros era tão densa que ninguém sentia saudade da neblina das ruas.

Os calóricos salames, Gorgonzola, "Bagna Cauda" eram motivos e desculpas (frio era outra...) para se consumir litros e litros de Barbera.

Sim, a Barbera era a rainha dos antigos bares piemonteses.

"Nino, mesa bota!" (Nino, meia garrafa.)
 

Não era necessário identificar o vinho: Todos os donos de bar sabiam que, a meia garrafa pedida, era de Barbera.

Se alguém quisesse Dolcetto, Grignolino, Freisa ou outro vinho local, deveria especificar.

A cada partida de Scopa, mais Barbera.

Barbera para comemorar a vitoria, Barbera para esquecer a derrota.

 
Assim era a vida nas aldeias e assim se bebia vinho na Itália nos anos 1950-1960 e começo dos anos 1970.

Taças de cristal? Nem pensar!

Sommelier?

O que é isso?

Parker, Gambero Rosso, Decanter, Wine Spectator, Jancis Robinson etc. só apareceram quando as "piole" desapareceram e os italianos enriqueceram.

Nos anos 50/60 os italianos eram pobres, mas bebiam em paz.

Por que essa nostalgia repentina?

A primavera parece ter medo de aparecer e na Ligúria os dias ensolarados se alternam com os chuvosos, frios, tristes, melancólicos.

 Uma segunda feira ventosa, de fria garoa e sem perspectiva de melhora, despertou o desejo de beber uma Barbera à moda antiga.
 

Nada de Barbera premiada, badalada, pontuada, consagrada (nossa... quantos "ada"), apenas uma Barbera, uma simples e honesta Barbera.

Consultei, sem entusiasmo, minha pobre adega e resolvi enfrentar cem metros de chuva para comprar uma garrafa no supermercado da esquina.

Barbera de todo preço.

Barbera D'Alba, Barbera D'Asti, Barbera del Monferrato, Barbera Oltrepò Pavese.....

Escolhi duas garrafas, de "Barbera D'Asti 2013" da vinícola Bersano e corri de volta tentando escapar da chuva.
 

Em casa peguei uma das garrafas, abri e despejei um dedo de vinho na taça.

Que bela Barbera!

Que bela escolha e que bom preço (6,90 Euros cada).

A Barbera D'Asti,da Bersano me lembrou, imediatamente, aquelas antigas Barbera dos anos 50/60.

 Aquela Barbera deveria ser bebida à antiga!

Esqueci a taça de crista, despejei uma generosa quantidade de vinho em um copo de vidro espesso, cortei algumas fatias de salame, algumas de pão e...... foi a festa.
 

A Barbera de cor rubi brilhante, jovem, fresca, com seus perfumes característicos..... Uma festa para o paladar de quem aprecia um bom vinho.

 A Barbera D'Asti 2013 da Bersano, algumas fatias de salame, uma boa música, foram suficientes para espantar frio, chuva e melancolia.

Barbera D'Asti 2013 da Bersano, um pequeno-grande vinho

Bacco

PS. A matéria inaugura uma série intitulada: "Histórias de vinho que os Sommeliers não Conhecem"