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sábado, 27 de setembro de 2014

PAIXÃO




Das três, uma:
1ª O Didu-Bilu-Teteia não entende nada de vinho
2ª É um desonesto intelectual  3ª É sócio do Dani-Elle.

Somente adotando uma das três hipóteses é possível digerir o texto abaixo
 
 

continuo achando os vinhos do Marco Danielle espetaculares. Continuo achando que o jornalismo do vinho não lhe dá o devido valor. Continuo achando que sua seriedade no que faz é exemplo e continuo achando que se ele fosse menos esquisito (adoro esquisitos, diga-se, tenho muitos amigos esquisitos…), seria melhor para o Atelier Tormentas e seus fantásticos vinhos.

Eu continuo achando que o Didu-Bilu-Teteia é apaixonado pelo Dani-Elle. Somente uma paixão avassaladora pode levar alguém a achar   que a seriedade do Dani-Elle é proverbial.

Nosso seríssimo produtor vinícola, embalado, afirma:

 “Nossos vinhos são produzidos de forma artesanal, em quantidades muito pequenas.....”

Nosso gênio vinícola possui o dom da palavra fácil, mas nem sempre é verdadeira.


A “forma artesanal” na produção vinícola do Dani é tão verdadeira quanto a probidade do Maluf.

 Dani, o “artesanal” vinifica   nada menos que 11 castas.

  Pinot Noir, Tannat , Merlot , Alicante Bouschet , Cabernet Sauvignon, Arnoison (complicação típica danielliana para uma uva da família do Chardonnay) Sauvignon Blanc, Teroldego , Barbera, Serprino (outra complicação daniellana : O Serprino é da família da Glera, uva mãe do Prosecco), Cabernet Franc.

Quem vinifica 11 uvas, quase todas compradas de terceiro, não poderia e nem deveria se autoproclamar “artesão”.

Quem trabalha assim está louco para se transformar em um grande industrial.
 
 

Para conseguir dar o salto falta apenas um sócio financiador; lábia, o Dani-Elle, já tem e de sobra.

O Bilu-Didu-Teteia com muito “ARS ARDOR” e pouco “HONOR” continua  

 

Ganhei dele esta garrafa de Sauvignon Blanc e deixei descansar um mês e ontem foi o dia de prová-lo com meu ex-segundo degustador, Ramatis Russo, meu filho nobre. Decantamos uma hora e servimos.

Descansar um mês?

Decantar, por uma hora, vinho branco gaúcho?

Só falta, agora, o Bilu-Didu-Teteia decantar uma garrafa de Mioranza branco suave.
 

ADORAMOS!!!! Tinha mim uma lamparina discreta, uma calda de doce de abóbora, um feno velho molhado e isso tudo um pouco abaixo do cítrico de limão siciliano e do capim molhado mais comum do Sauvignon Blanc

A lamparina do Didu-Bilu-Teteia deveria iluminar sua cabeça de abobora e cheia de capim
 

ADOREI Marco Daniele. O vinho tem personalidade e originalidade além de puro. Tudo o que procuro num vinho, me emocionou

Não falei? Finalmente o Didu-Bilu-Teteia se revelou:

É adoração! É paixão pura!

Depois, com a evolução que não parava, veio um incrível aroma de miúdos grelhados, notados pelo Ramatis. Não resistimos e pedimos uma linguiça de Pato (você já provou a linguiça de Pato da Enoteca Saint Vin Saint?…), e não deu outra. Era isso mesmo, show!
 

O vinho deverá entrar para comercialização em outubro segundo o site do Marco Danielle. sugiro uma visita ao site do Tormentas, há coisas bem interessantes lá, inclusive depoimentos de pessoas de respeito no mercado. Recomendo

É sempre a mesma ladainha: O Dani-Elle lança um produto, manda uma garrafa para seu apaixonado crítico que, com seu grande conhecimento e total isenção, recomenda o vinho.
 

Pergunto: Com o modelo de crítica, acima, é possível pensar que, um dia, nosso mundo vinícola sairá da mediocridade?

Respostas serão bem vindas.

Dionísio

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

ENO SACOLEIRO


 


Somos acusados, frequentemente, de indicarmos vinhos impossíveis de encontrar.
 

Há, nestas queixas, um pouco de verdade e um pouco de tolice.
 
 
 

B&B não faz parte da crítica brasileira especializada em indicar Malbec, Carmenere, Cabernet Sauvignon ou Merlot da importadora “X”, Sassicaia, Solaia da importadora “Y”, ou outras centenas de vinhos que todos já conhecem e beberam.

B&B pretende revelar ótimos vinhos, com um

custo/ benefício interessante e que revelem algo novo ao paladar do enófilo brasileiro.

B&B não escreve para bebedores de etiquetas, para “Os Caçadores de Pontos Perdidos” e nem que ser o milionésimo blog a comentar as qualidades do Petrus, Barca Velha, Vega Sicilia, Ornellaia, Romanée Conti e outras garrafas carimbadas, manjadas e falsificadas.

B&B que falar, por exemplo, do vinho, que estou bebendo neste exato momento: “LATRICIÈRES-CHAMBERTIN GRAND CRU 1999” de Louis Remy e que me custou 100 Euros.
 

Uma grana preta para os meus bolsos que raramente deixam nas enotecas mais de 30 euros por uma garrafa.

Antes que a turma do “Tá vendo, tá vendo! Você também bebe garrafas caras” me ataque, vou narrar o que aconteceu.

Aprendi, finalmente, uma coisa: Nunca trazer encomenda nem bancar o eno-sacoleiro.

“Você vai para a Europa? Me traz uma garrafa de Brunello Biondi Santi Riserva. Quando você chegar eu pago”.
 

Ai você, neste caso, eu, procura a garrafa, pesquisa o preço em uma dúzia de enotecas, encontra o vinho, por nada desprezíveis 405 Euros (o vinho custa mais de 430), compra, embala, reza para a garrafa não se espatifar na viagem e, quando vai entregá-la, recebe a clássica pergunta: “Puxa, tudo isso?”.

Neste ponto o que faço? Mando o sujeito à merda ou eu vou?

Pois é...... Foi exatamente o que aconteceu com o “LATRICIÈRES-CHAMBERTIN GRAND CRU 1999”.

No final de 2013, um vendedor de loja, ao qual revelei que estava renovando o passaporte para viajar com Bacco para a França, pediu, insistentemente, que eu trouxesse na mala 12 garrafas de Grands Crus da Borgonha.

Tenho um cliente cheio da nota que precisa de algumas garrafas de prestígio para o final do ano. O cara paga qualquer preço”.

Tanto encheu, tanto encheu que concordei, mas com uma condição: “Vou trazer, mas já vou avisando que triplicarei o preço da origem”.

Não tem problema o cara é riquíssimo e quer o vinho. Mais uma coisa: As garrafas devem ser de safras diferentes e quanto mais velhas, melhor”.

O palhaço, eu, procurou, procurou, procurou e finalmente, em Morey-Saint-Denis, na vinícola Louis Remy, encontrou exatamente o que o “riquíssimo” queria: 6 garrafas de Close De La Roche Grand Cru e 6 de Latricières-Chambertin Grand Cru das safras 1990-1995-1999-2000-2005-2009, embaladas em lindas caixas de madeira.

Preço? Uma pela outra, depois de uma briga com o francês (língua) e o francês (produtor), 100 Euros.

Rezando para não quebrar as garrafas, para não ser parado na alfandega etc. etc. finalmente cheguei em casa.

“Fulano estou com a encomenda e não vou triplicar o preço...750 cada garrafa tá de bom tamanho”

“Ótimo vou ligar para o cliente e passo em seguida para pegar o vinho”

Meia hora depois..... Olha, ele está viajando e só volta em janeiro”

“Mas o vinho não era para o final do ano?”

“Sim, mas ele teve que viajar....vamos esperar”

Janeiro, como todos os janeiros, chegou, mas o “riquíssimo”, não.
 

“Olha eu liguei e ele garantiu que do final do mês não passa”.

Chegou o final do mês e o “riquíssimo”, também.

Não sei quanto o vendedor pediu ao “riquíssimo”, mas sei que, no final da história, o “riquíssimo” queria somente as garrafas de 1990-95-99.

Fiquei olhando durante longos meses para as duas caixas pensando no riquíssimo, no vendedor, na mãe dos dois, até que.... “Quer saber duma coisa, vou beber todas”.

Comecei com Latricière 1990.

Ótimo Pinot Noir, perfeito, cor característica e aromas complexos, importantes.
 

O 1999, detonado na companhia de Bacco, nos deixou embasbacados: Os aromas iam mudando constantemente e seria uma temeridade defini-los. Na boca potência e elegância dos taninos já domados, uma longa permanência e um goudron impressionante.

O “riquíssimo, nunca saberá o que perdeu.

Os Pinot Noir, que comentei, não chegam, porém, na opinião do Didu-Bilu-Tetéia, aos pés dos siderais produzidos pelo tormentoso Dani-Elle.
 

E por falar em Bilu & Dani, acabei de ler o comentário do primeiro sobre o “Fantástico, excepcional, espetacular emocionante” e por aí vai, Sauvignon Blanc, do segundo.

Aguardem minha crítica.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

PARKER, QUEM DIRIA....


 


Anda lendo, às escondidas, B&B.

Explicando: Há mais de 10 anos e sistematicamente, elogio os vinhos de meu amigo Gian Alessandria.

 

Ante que a turma “dasbocaslivresepropinas” se excite e me condene é preciso salientar que me tornei amigo, aliás, muito amigo, de Gian Alessandria depois de provar seus grandes vinhos e não antes.

Quando algum vinho me impressiona não penso duas vezes e procuro conhecer o produtor.

Foi assim com Martinelli, Capellini, Mariotto, De Andreis, Bosticardo, Capanna, Settimo, Sobrero e muitos outros.

Nem todos se tornaram amigos, como Martinelli e Alessandria, mas todos aqueles que visito, pessoalmente, são produtores sérios e competentes.
 

Gian Alessandria, apesar de suas terras se estenderem quase totalmente em Verduno, aldeia que não faz parte da “nata” do Barolo (Barolo, La Morra, Serralunga, Monforte e Castiglione), possui vinhas excepcionais.

De suas parreiras nascem Pelaverga e Barbera de primeiríssima qualidade e na colina de “MONVIGLIERO”, Gian colhe as uvas que se transformam nas oito mil garrafas de seu ótimo “Barolo Monvigliero”.
 

Todos os Barolo do Alessandria, o base, o Gramolere, o San Lorenzo, são excepcionais, mas o Monvigliero sempre foi meu preferido.

Quem acompanha B&B deve ter lido inúmeros elogios que escrevi sobre os vinhos de Gian Alessandria, mas quem quisesses prová-los, ou comprá-los, precisaria visitar o produtor em Verduno ou as enotecas de Alba e região.
 

A partir deste ano não mais será necessário viajar para o exterior para beber os vinhos do Alessandria: A importadora “Nova Fazendinha” fechou contrato com a “Fratelli Alessandria” para fornecimento de 1.200 garrafas de Barolo Monvigliero 2010.

Qual a razão do súbito interesse?

A Nova Fazendinha finalmente se “rendeu” às sugestões de B&B?

Nada disso..... A Nova Fazendinha leu, em algum canto, que os meninos do Robert Parker concederam 96 pontos ao Barolo Monvigliero 2010.
 

Voilà !!!!!!

 Agora, sim, depois da benção “parkeriana”, o Monvigliero pode receber seu passaporte e ingressar nas seletas e sofisticadas taças brasileiras.

O mundo é cheio de eno-babaca.

Foi preciso o “sim” do Parker para despertar o interesse dos importadores nacionais pelas ótimas garrafas da vinícola de Verduno.

Para que se tenha uma ideia, da quantidade de eno-idiotas que há, espalhados pelo mundo, revelo um dado: O Gian Alessandria já não tem mais nem uma garrafa de Monvigliero 2010 para vender.

Se fosse o famoso e malandro produtor de Barolo que, ao receber “Tre Bicchieri” da Gambero Rosso,  vendeu muito mais daquilo que havia produzido e para faturar mais comprou 10.000 litros de Barolo da cooperativa “Terre del Barolo”, engarrafou com suas etiquetas e ganhou, sem suar, uma grana preta com a idiotice dos “guias-dependentes”, o Alessandria , também, se daria bem.

 Alessandria é um vitivinicultor sério, correto, honesto e jamais faria uma falcatrua como esta.

 Se eu fosse o Gian, juro que faria, filmaria toda a picaretagem e depois publicaria só para ver a cara dos eno-panacas que somente bebem aquilo que é altamente pontuado.

É bom lembrar que, muitas vezes, não é o caso do Alessandria, os pontos são comprados descaradamente.
 

Bacco

PS. O Monvigliero 2010 é um grande vinho, mas, na minha opinião, não é a “estrela maior” do Alessandria.

 É um vinho pronto, que se faz beber facilmente, perfumes extraordinários e como disse, pronto..... Exatamente o mais parkeriano das últimas safras.

 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

2014 - BOM VINHO?



A vindima de 2014, até o presente momento, já está sendo considerada, pelos viticultores, como uma das piores da década.

Quando um produtor admite, que a safra enfrenta problemas, podem escrever: O vinho deixará muito a desejar.

Em meu último fim de semana, passeando pelas terras do Barolo, pude constatar o desânimo que tomou conta de muitos viticultores.

“Choveu demais, não fez calor suficiente, o sol foi pouco.  Eu nem lembro de quantas vezes tive que pulverizar as vinhas”.

Esta queixa, de um amigo e produtor de Barolo, era repetida por todos os outros viticultores.
 

A pá de cal, sobre a safra 2014, foi jogada por um dos maiores e mais bem sucedidos produtores da região que encontrei, casualmente, na “Vinoteca Centro Storico” em Serralunga D’Alba.

Alessio, proprietário do wine bar, me apresentou o empresário.
 

 Após os cumprimentos de praxe, o meu novo conhecido, foi logo disparando; “Este ano vamos desengavetar os concentradores…”

Vendo minha expressão de susto, continuou: “Tem colegas que apostam em dias de sol e estão postergando a colheita. É uma aposta arriscada e se chover, como tem acontecido, se perde tudo. Ontem, com a minha equipe, vindimei, transportei para a adega e esmaguei o equivalente a 100.000 garrafas e ainda falta espremer uva para mais 500.000. Em uma semana acabo. Já sei que o álcool não chegará aos 12º e então usarei o concentrador e muitos farão a mesma coisa”.

Não adianta perguntar.... Não direi o nome do produtor e nem revelar o nome do vinho das 600.000 garrafas, mas posso informar que a safra será problemática para todos os brancos da região, para o Dolcetto e Barbera.

O Barolo (Nebbiolo), com sua casca mais grossa e vindima prevista para outubro, sofrerá menos, mas esqueçam grandes garrafas.

O velho e bom concentrador, tanto amado pelos Parker, Michel Roland e seus seguidores, está de volta......
 

Por falar em Roland-Lero o produtor, ao sabem de minhas origens, perguntou se eu conhecia a Miolo.

Respondi, quase envergonhado, que infelizmente, sim.

Meu novo amigo continuou:” Certa vez um grupo de viticultores participou de uma degustação às cegas. Havia produtos de várias origens e nós deveríamos acertar os pais de produção. Aquele que errasse deixaria disputa e o último ganharia o jantar. Muito bem todos foram excluídos já no primeiro vinho. A garrafa era de um vinho brasileiro: “Lote 47 da Miolo”.
 

Corrigi a numeração e o piemontês continuou: “Sim, você tem razão, era Lote 43 e todos erramos quando o classificamos como sendo de Bordeaux”.

Levei um susto e perguntei: “Era tão bom assim?”

“Não, era apenas regular. Afinal nem tudo em Bordeaux é excepcional. Acontece que nunca pensamos no Brasil quando se fala em países produtores. O que nos levou a pensar em um vinho bordalês foi o “estilo Michel Roland”: Vinhos todos iguais, padronizados e sem personalidade”.

Olhei para o viticultor e desconfiado, pensei: “Esse cara andou lendo B&B.......”

Aguardem: Já, já tem mais de Roland-Lero e Parker.

 

 

  

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

VERDICCHIO DI MATELICA II


Para “descobrir” o Verdicchio di Matelica é preciso deixar as colinas dos “Castelli di Jesi”, que quase se banham no mar Adriático e escalar os Apeninos.

Escrever para enófilos brasileiros, que recebem, daqueles que se auto proclamam “especialistas”, informações quase sempre erradas e incompletas, não é fácil.
 
 
 

É preciso aguçar a curiosidade do leitor com uma informação nova que vá além dos Cabernet, Merlot, Syrah, Supertuscans etc.

O Verdicchio di Matelica “Mìrum” vai aguçar a curiosidade e alegrar as taças daqueles que apreciam um grande vinho.

O Verdicchio, como já escrevi, foi vítima da inescrupulosa ganancia que sempre e infelizmente norteia a esmagadora maioria dos industriais do vinho.
 

A facilidade da venda, o lucro imediato e compensador, tapou os olhos de muitíssimos produtores.

Alguns poucos, e somente nos anos 90, perceberam que Jesi era um dos melhores territórios italianos com rara vocação para vinho branco.

Como se não bastasse, além da excelência encontrada nas colinas   de Jesi, o escondido, pequeno e quase introvertido território de Matelica, foi “redescoberto”, também.
 

 Jesi e Matelica fazem parte da pequena lista (5/6 denominações) que revela os melhores territórios italianos com vocação para grandes vinhos brancos.

Há diferenças: O Castelli di Jesi se apresenta, mais aromático, mais encorpado, mais frutado, já o de Matelica revela uma acidez maior, mais selvático e com o característico final de amêndoa amarga não tão acentuado.

A minha viagem, pelas terras que produzem oMìrum”, revela minha paixão por este grande vinho.

A vinícola “Monacesca” (dos monges) nasce em 1966 por vontade de Casimiro Cifola.
 

Em 1973 começa a produzir, com marca própria, o Verdicchio di Matelica.

Em 1982, Aldo, filho de Casimiro, se junta ao pai e suas novas ideias se revelam de extrema importância para a melhoria do vinho.

 Em 1988 nasce a perola da Vinicola La Monacesca: “MÌRUS” (maravilhoso em latim) que quase imediatamente passa a ser rebatizado “MÌRUM”.

Nas montanhas e longe da influência marina, a pequena denominação, apenas 300 hectares e dez vezes menor que a denominação Castelli di Jesi, “Verdicchio di Matelica” encontra no “MÌRUM” sua melhor expressão.
 

Não sinto nenhum receio em classificar o “MÌRUM” como um dos melhores brancos italianos e que pode, sem susto, rivalizar com os grandes franceses.

O clima continental reduz a produção de cachos, mas o vinho obtido é recompensado com proverbial complexidade e capacidade de envelhecimento.

Quem degusta, às cegas, o “MÌRUM” é levado a pensar (eu também pensei) que o vinho foi magistralmente vinificado e afinado em barrique.
 

Ledo engano: O “MÌRUM”, com sua “gordura”, complexidade, profundidade, equilíbrio, seus aromas múltiplos e quase indecifráveis, é vinificado apenas em inox e repousa seis meses em garrafa antes de ser comercializado.

Grande vinho que pode ser encontrado nas boas enotecas.

Antes de encerrar: Você está sentado, relaxado, já comprou seis garrafas de Nº 1 da Perini por R$ 190, bebeu uma e não sabe o que fazer com as outras cinco?
 

Bem, o “MÌRUM”, como estava dizendo, pode ser adquirido por 16/18 Euros.

Em sua próxima viagem, prove e comente.

Bacco.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

NÚMERO 1 OU 1.235.567.467.01?


Agora, ludibriar os consumidores oferecendo vinhos premiadíssimos, raríssimos, magnificentíssimos, superlativíssimos, exclusivíssimos, de pequeníssima produção e preços absurdíssimos, virou, definitivamente, “modissima” .
 

 

O embuste começou, se não erro, com o “famoso” Lote 43 da Miolo.

A Miolo inventou um vinho caríssimo alegando que era produzindo com uvas colhidas no lote 43.

O lote 43 foi doado, ao imigrante e patriarca da família, Giuseppe Miolo, quando de sua chegada ao Rio Grande do Sul.

Nunca pude entender muito bem por que o lote 43, repentinamente, passou a produzir uvas tão raras e tão caras que em estado líquido custam R$ 130.

O patriarca, lá do além, resolveu abençoar aquele rincão?

O departamento de marketing da Miolo e o enólogo francês Roland-Lero   se uniram e inventaram mais uma de suas muitas sacanagens?

Não sei, mas sei que a moda pegou e uma avalanche de eno-sacanagens invadiu o mercado nacional com preços que somente diretores da Petrobras podem gastar sem chorar.

Exemplos:

Pericó Icewine (200ml) - R$ 178,20
Cave Geisse Brut 1998 R$ 700,00

Miolo Semarias 2011 - R$ 295,00
Lídio Carraro Singular Nebbiolo R$ 258,70
Pizzato DNA 99 Single Vineyard Merlot R$ 251,60
Don Laurindo Gran Reserva 80 anos - R$ 240,00

A lista continua e se encerra, por enquanto, com o MERLOTONE, da vinícola Argenta-ria, que custa pornográficos R$ 290,00.

Eu disse por enquanto?

Pois é....... A Perini, aquela vinícola gaúcha que produz o pior Barbera que há na face da terra, resolveu entrar nos mercados dos “eno-babacas-nacionais” e lança sua eno- sacanagem: “PERINI Nº 1” por ínfimos R$ 190,00.

Aviso aos eno-babacas: Corram, corram, corram, pois a Perini produziu apenas 600 garrafas dessa preciosidade.

Aliás, “reduzidíssima quantidade produzida” é quase sempre a desculpa que os predadores gaúchos de vinho encontram para justificar os escandalosos preços.

Mais uma vez declaro que no Brasil não há controle algum e as vinícolas podem etiquetar 600, 6.000, 60.0000 ou quantas garrafas forem necessárias, sem serem molestadas por nenhum órgão controlador.
 

A exclusividade e não a qualidade, então, é a justificativa encontrada pelos eno-sacanas-gaúchos para cobrar preço altíssimos?

Que dizer, então, das reais 180 garrafas que Luciano Capellini produz, em Volastra, do fantástico “Vin de Gussa” e que vende por 22 Euros?
 

Que dizer, então das verdadeiras 280/300 garrafas de Criots-Bâtard Montrachet que Denis e Alexandra Blondeau-Danne produzem e vendem por 60 Euros?

Estou escrevendo sobre dois vinhos fantásticos, raros e que os clientes reservam com anos de antecedência.

A Perini, que nem sabe vinificar um Barbera decente, não parece ser confiável para produzir um espumante que custe R$ 190,00.

Se há inúmeros idiotas que ainda votam em Maluf, haverá 600, 6.000 ou 60.000 idiotas que se orgulharão em comprar um Nº 1 da Perini por R$ 190

Dionísio
 

OS. Aguardem o lançamento das 300 garrafas do premiadíssimo, exclusivíssimo, disputadíssimo, insuperabilíssimo, magnificentíssimo “Cantina da Serra Reserva Especial” por razoáveis R$ 175,87.


 

 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

VERDICCHIO DI MATELICA


 



Sempre afirmei que uma das maiores castas brancas italianas é o Verdicchio.

Mas nem sempre o Verdicchio foi considerado, reconhecido como uma grande uva e que poderia produzir grandes vinhos.

O Verdicchio alcançou o sucesso comercial nos anos 60, frequentou mesas e taças do mundo todo, invadiu enotecas nos quatro cantos do planeta, mas acabou   pagando caro por este sucesso.

Qualidade duvidosa, imediatismo inescrupuloso visando apenas números, uma bela jogada de marketing, deram, àquela garrafa, imitando ânfora etrusca, uma conotação de vinho jovem, fácil de beber, mas banal.

O sucesso comercial foi grande e o Verdicchio se transformou em um dos brancos mais conhecidos e exportados da Itália.

 Quando a moda arrefeceu, o vinho das colinas “marchigiane” amargou um lento e inexorável declínio, carregando, durante longos anos, o estigma de produto barato e de baixa qualidade.
 

A vinícola Fazi Battaglia, primeira responsável pela divulgação da “ânfora” etrusca, faturou horrores, mas quase destruiu a reputação do Verdicchio.

A Fazi Battaglia não foi a única que vulgarizou uma grande casta: A vinícola   Bolla, com seu Soave, fez o mesmo com a uva Garganega.

Ainda bem que o mundo vinícola italiano é composto, na sua grande maioria, por pequenos e médios produtores que, visam lucro, sim, mas sempre com um olho voltado às tradições e respeito pelo vinho.
 

Em meados 80 uma decisão e conscientização importantes foram tomadas por um punhado de viticultores regionais.

  Analises, estudos e seleções de clones da Verdicchio e mudanças nas técnicas de plantio e vinificação, alcançaram, em menos de 30 anos, resultados surpreendentes.

As quantidades por hectares diminuíram muito, as uvas são colhidas um pouco mais cedo para privilegiar frescor e cor e, finalmente, técnicas modernas foram adotadas nas adegas.

Resultado: O Verdicchio é, hoje, um grande vinho.

Ainda há, na denominação Verdicchio, muita porcaria, mas há, também, garrafas de puro sonho.

Quando afirmo que, para escrever sobre vinhos é necessário conhecer a região sei o que digo...

Quantos críticos, blogueiros, “professores” (me poupem...) de cursos, diretores de AB$, $BAV etc. já provaram um bom Verdicchio de Matelica (se pronuncia Matélica)?

Garanto que 99% deles, se não correrem ao Google, nem sabem o que é “Matelica”.

O Verdicchio possui duas denominações: Verdicchio dei Castelli di Jesi e Verdicchio di Matelica.

Na primeira viagem que realizei, nas terras do Verdicchio, visitei a “Enoteca Della Regione Marche”.

A Enoteca, localizada bem no centro histórico de Jesi, possui mais de 400 etiquetas dos produtores da região e é um ótimo endereço para se começar a conhecer o Verdicchio.

A sommelier, que naquela ocasião me atendeu, apresentou um sem números de produtores e foi através de seus conselhos que pude conhecer um dos melhores Verdicchio dei Castelli di Jesi: CORONCINO.
 

O Coroncino e seu irmão, Gaiospino, produzido, em Staffolo, pelo incrível Fuvio Canestrari, continuam frequentando, com muita assiduidade, minhas taças.
 

Quando já não acreditava que outro vinho pudesse me surpreender, a sommelier, com o indisfarçável propósito de fundir minha cuca e quase sussurrando, disse:” O senhor já provou o Verdicchio di Matelica?”
 

Estava em meu primeiro estágio do Verdicchio, mal conhecia a denominação “Castelli di Jesi” e a mulher já me apresentava a de Matelica.

Vendo minha expressão, de tonto recém acordado, a sommelier, sem proferir uma palavra a mais, despejou em minha taça dois dedos de “MÌRUM”.

Três dias depois estava gastando os pneus do meu carro pelas estradas da montanhosa Matelica para conhecer as terras do fantástico Mìrum.

Logo mais, Mìrum II

Bacco