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terça-feira, 29 de abril de 2014

PREDATORIUS VINICULUS GAUCHURIUS


Leio, com satisfação, que mais um produtor internacional aporta, com seus espumantes, em terras brasileiras.

A Freixenet, gigante espanhola, seduzida pelo sedutor e crescente mercado nacional de espumantes, faz parceria com a “Predadora Miolo de Vinhos” para produzir suas garrafas borbulhantes em território Gaúcho .

A Freixenet e Miolo, já em junho, garantem o seu mais novo rebento nas prateleiras dos supermercados nacionais.

O espumante, elaborado com método tradicional. vinificando as castas Chardonnay e Pinot Noir, chamar-se-á: “X BRUT”.
 

Quando dois gigantes se encontram o Adolfo Lona que se cuide: Gigantes detestam anões....
 

O Lona não é anão, mas quando a Miolo, através de sua máquina de distribuição, invadir o mercado com mais um produto de fama mundial, alguém perderá mercado e quem perde mercado, nestas ocasiões, sempre é o pequeno.

Por enquanto a Miolo e Freixenet   não produzirão uma gota sequer de espumante “X BRUT” em solo gaúcho e todas as garrafas virão diretamente de Mendoza, filial argentina da vinícola espanhola.
 

A qualidade do “X BRUT” é, para mim, ainda um mistério, mas já deu para perceber que a Freixenet foi infectada pelo vírus “Predaturius Viniculus Gauchurius”:O mesmíssimo espumante, que no Brasil será vendido por parcos R$ 42, é comercializado, na Argentina por 37 Pesos (R$ 10,29).
 
 
Espumante Extra Brut - Freixenet- Novedad

 
$ 3700
12 cuotas de $ 472

    • Artículo nuevo
    • 1 vendido
    • Buenos Aires
      1.  

      A Freixenet, mal chegou e já bota pra ........ (Rima rica....)

      Apenas para confirmar a presença do vírus “Predaturius Viniculus Gauchurius”:

      X Extra Brut
      Añada actual: 2011
      Variedad de uva: Exclusivo blend de Chardonnay y Pinot Noir. X es un sparkling wine producido por Freixenet en Argentina. Responde a un concepto joven y moderno, combinado con nuestra tradición y la excelencia en la elaboración de espumantes en todo el mundo. Producido en Mendoza - Argentina
      Color: Posee delicados tonos asalmonados, aportados por la intensidad del pinot noir. Sus burbujas son finas, delicadas y persistentes.
      Aroma: En nariz es frutal, elegante y muy complejo. Presenta un agradable aroma que nos recuerda a nueces y almendras, con notas de pan tostado.
      En boca: Mantiene la frescura de la fruta. De agradable cuerpo y textura. El final es largo y refinado.
      Grado alcohólico: 12%
      Dosage: 7 gr/l
      Recomendaciones gastronómicas: Es un excelente acompañante de aperitivos, pescados, frutos de mar, sushi, comida thai, carnes rojas delicadas, mousse de limón o naranja.
      Temperatura de servicio: 6 a 8°C
      Precio sugerido de venta al público: $40,49 (R$ 11,26)

       

      Dionísio

 
 
 
 

 
 
 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

CPI DA FEDORBRAS


 


Estamos apenas na primeira metade de 2014, mas duvido que alguém, no corrente ano, consiga superar nosso maior ídolo olfativo: O GRANDE NOEL!

Noel é insuperável na refinada técnica, na rica descrição e na magia do olfato quando cheira uma taça de vinho.

Tentei, juro, tentei, mas tive que esquecer todos nossos anteriores sabujos, que foram literalmente pulverizados e declarar o Noel campeão por antecipação.

Noel, que despontara como grande promessa na matéria “A SUPERAÇÃO”, consolida definitivamente sua posição no Olimpo dos grandes narizes nacionais.

Leiam nosso fenômeno analisando o ORNELLAIA:
 

Safra: 2005.

Álcool: 14,5%.

Casta: cabernet sauvignon e merlot.

Produtor: Tenuta dell’Ornellaia.

Região: Bolgheri (DOC), Itália.

Cor: rubi, com reflexos sutis em granada.

Aromas: banana verde, jatobá, cassis, pimenta do reino, caramelo, erva mate, torrefação, chocolate, purê de batatas.

 

Aprofunde sua técnica imitando o mestre cheirando um “RICHEBOURG”
 

 

Safra: 2001.

Álcool: 13%.

Casta: 100% pinot noir.

Produtor: Domaine de La Romanée-Conti.

Região: Vosne-Romanée (Côte D’Or), França.

Cor: tijolo.

Aromas: frutos do mar, ostra fresca, maresia, sargaço, iodo, remédio, especiarias, cereja, chucrute, charuto, couro, framboesa, malte, ervas da Provença, tamarindo

 

Não desanime   se não perceber, afinal, todos os aromas captados pelas impares narinas do fenômeno ao saborear um “CASTELLO BANFI RISERVA”
 

 

Safra: 1995.

Álcool: 13,5%.

Casta: 100% sangiovese grosso.

Produtor: Castello Banfi.

Região: Montalcino, Itália (DOCG).

Cor: rubi, com reflexos granada.

Aromascouro, ameixa, floral, Biotônico Fontoura, aceto balsâmico, aroma ácido, evolui bem, marrom glacê, charuto, estábulo.

Sei, muito bem, que o nível é excelso, mas, muita dedicação, muitas cheiradas em banheiros de rodoviárias, chiqueiros, farmácias, curtumes, meias sujas, peixarias etc. você poderá, não superar, mas pelo menos imitar o GRANDE NOEL
 

Falando sério: Está na hora de criarmos a CPI da “FEDORBRAS”
 

 

sábado, 26 de abril de 2014

O ÚTIMO BAROLO




Na Itália, a sexta feira da paixão é dia santo, mas não festivo.

O comércio, bancos, lojas, cinemas, restaurantes, etc. abrem as portas e seguem sua normal rotina de trabalho, mas na segunda feira, após o domingo de Pascoa, na Itália tudo é festa.
 

A “Pasquetta”, também conhecida como “Dia do Anjo”, é uma data festiva, faz parte do calendário local desde o após guerra e foi criada, pelo estado, para prolongar as festividades pascalinas.

A “Pasquetta” desde sempre é uma data comemorada, por parentes e amigos, em piqueniques nos campos aproveitando a primavera.

O tempo nem sempre é amigo e a “Pasquetta” com chuva é um desastre...

Massimo Martinelli me telefona; “Vai fazer o que amanhã?”

Respondi que não havia programado nada de especial e que comemoraria a “Pasquetta” em Chiavari.

“Vou reunir alguns amigos, preparar alguma coisa e abrir algumas garrafas. Você vem?”

Às 12,30, em ponto, estacionava o carro sob a estupenda glicínia de “Brinco Mollea”.
 

Muitos abraços, brincadeiras, pessoas amigas chegando, garrafas se abrido…...a “Pasquetta” prometia.

Vou deixar o Martinelli apresentar o cardápio e os vinhos.
                    as vinhas de Martinelli

NUNC EST BIBENDUM

Segunda feira-festiva-de Pascoa cozinhei para os amigos algumas especialidades regionais.

Torta salgada de alcachofras e salada russa

Ovo cozido sobre prado de “bagnet” verde

Sopa primavera com ervas, favas, ervilhas e aspargos

“Finanziera” com miúdos de cordeiro

Perna de cordeiro em panela

Doces e sorvetes variados.

Abri:

Rosé de Pinot Noir Oltrepopavese

Franciacorta Antica Fratta

Dogliani DOCG “Assanen” 

Saint Aubin Les Pucelles

Volnay Y. Clerget

Barolo Marcenasco.
 

 

Almoço maravilhoso, convivas alegres e garrafas soberbas.

Quando Massimo abriu a garrafa de Barolo Marcenasco 2009, com uma ponta de saudade, comentou: “Foi o meu último Barolo na Renato Ratti”.
 

Para quem não sabe Massimo Martinelli, sobrinho de Renato Ratti, foi durante décadas sócio e enólogo da prestigiosa etiqueta piemontesa.

Em 2010 se “aposentou” para se dedicar à pintura, ao lado de sua mulher, Angioletta, tocar seu ótimo agro turismo “Antica Meridiana Relais-Art” http://www.relais-art.com/
e vinificar seu Dogliani DOCG “Assanen” que em breve cometerei.

 Os vinhos, todos de ótima qualidade, mereceram elogios por parte dos convivas, mas quando Massimo despejou na taça o “MARCENASCO 2009” empalideceram: O “ÚLTIMO BAROLO DE MARTINELLI” simplesmente os pulverizou!
 

Em seguida: O Barolo moderno de Massimo Martinelli.

terça-feira, 22 de abril de 2014

CHAMPANHERIA DO LARGO




Depois do “estupro” gastronômico, ocorrido no deplorável “ROBADOURO”, decidi não mais   me aventurar em outra “marisqueira” e resolvi, pela enésima vez, percorrer Lisboa caminhando sem rumo à procura de um restaurante mais honesto.

Sem rumo é um modo de dizer.... Conheço a capital portuguesa melhor que Roma, Paris, Viena, Madrid etc. assim, é difícil que eu perca o rumo em Lisboa.

Meu hotel, no bairro de Saldanha, distava a menos de meia hora do Rossio, minha meta predileta.

Desci a belíssima Avenida da Liberdade, evitando o lado direito para não rever o fatídico “Robadouro”, entrei em algumas ruas paralelas e, “sem querer querendo”, encontrei o Largo da Anunciada.

Para quem não sabe, o Largo da Anunciada, além do bondinho que serve de elevador, é o endereço de um dos mais badalados restaurantes lisboetas: “Solar dos Presuntos”

Famoso, caro e previsível, o Solar dos Presunto é meta obrigatória de 11 de cada 10 turistas brasileiros: Uma unanimidade redundante.

Fui duas vezes e....adeus aos presuntos e defuntos.

Quase em frente, ao famoso presunto, bem na esquina do Largo da Anunciada, a “Champanheria do Largo” chamou minha atenção.

Bem localizada, agradável, propostas interessantes de tira-gostos, Champagne e espumantes portugueses em taça...Uma verdadeira tentação.

Convencido, que um almoço leve seria uma ótima pedida, resolvi abandonar minhas buscas e ancorar na “Champanheria do Largo”

O belo dia, de fresca primavera, lotou Lisboa de turistas que na hora do almoço são quase laçados pelos garçons dos restaurantes–arapucas do centro da cidade, especialmente aqueles da Rua dos Correeiros e os da Portas de Santo Antão.

Ninguém, do Solar dos Presuntos, precisa “caçar” turistas: Eles procuram o restaurante como se Meca fosse.

De meio dia e meia, até pouco depois das treze, o Solar abriu suas portas para muito mais de uma centena de turistas.

De uma só tacada, um grupo de 50 ou 60 espanhóis, entrou no famoso restaurante lisboeta.

Sentado, tranquilo, bebericando uma taça de um bom espumante “Murganheira 2007”, fiquei pensando como um restaurante, que serve mais de 200 almoços, pode ser elogiado e considerado um dos melhores de Lisboa.

Não sei, mas, continuando minhas espumantes libações, decidi que o Solar não estupraria, nunca mais, meu cartão.

Os petiscos são ótimos na “Champanheria do Largo”.

Maravilhoso o bacalhau frito, boas as vieiras, excepcional o “Tartare de Atum”.

Seduzido, pela qualidade do atum, repeti o prato.

Sensacional, bem feito, perfeito, imperdível!

Nem tudo é alegria na “Champanheria do Largo” ....

A seleção de espumantes portugueses é interessante, mas o Champagne não é Champagne.

 É um Cremant de qualidade mais que discutível e é apenas um “engana trouxas”

A “Champanheria do Largo” é um bom endereço, exibe boa escolha de pratos leves, não enfia a faca e sua localização é um charme total que nem precisaria daquele sedutor bondinho amarelo que uma das marcas registradas de Lisboa.

Conheça 



quinta-feira, 17 de abril de 2014

LANÇAMENTO DE QUEIJO


 


Dia sem chuva, algumas nuvens, luminosidade não muito intensa..... Ótima ocasião para fotografar os campos da Toscana.

Toda Val D’Orcia é estupenda!

 
 
 Seguindo a estrada que de San Quirico alcança Pienza e que de Pienza serpenteando, por campos e vales de tirar o fôlego, chega até Monticchiello, o vale se supera.

Poucas vezes os olhos poderão contemplar paisagens campestres tão fascinantes (eu não conheço paisagem mais bonita).

É preciso, todavia, ter um mínimo de cultura e sensibilidade para poder apreciar este lenço de território que a própria UNESCO, em 2004, reconheceu como patrimônio mundial da humanidade.
 

Não acredito, por exemplo, que aqueles quatro palermas, muito bem descritos por Dionísio, que encontramos em Montalcino no "Re di Macchia", tomando cerveja, saibam apreciar, em toda sua plenitude, tanta beleza.

Preconceito?

Talvez, mas quem recusa um Brunello em Montalcino é, também, preconceituoso.

Pouco movimento, raros carros percorrendo a estreita estrada....  A incomum tranquilidade permitiu inúmeras paradas para fotografar.

Quase chegando a Monticchiello fomos surpreendidos por um grupo de 50 ou 60 homens que em uma estradinha lateral lançava uma esfera branca.
 

A esfera rolava pelo asfalto em altíssima velocidade antes de parar ou entrar pelo mato adentro.

A cena inusitada instigou nossa curiosidade.

 Parei o carro e caminhamos até o grupo   para ver, acompanhar e entender a manifestação.
 

Os presentes, todos além dos “entas” (quarenta, cinquenta, sessenta …), contentes com nosso interesse, não se fizeram de rogados e explicaram o que estava acontecendo.

Estava sendo realizado o torneio regional do lançamento de queijos para escolher os participantes regionais que, em maio, disputariam o campeonato italiano da modalidade.
 

Acredite, se puder e quiser: O torneio de lançamento de queijos faz parte da tradição local desde o período etrusco (900/600 AC), continua viva até nossos dias e consta do calendário da “FIGST” (Federação Italiana jogos e Esportes Tradicionais).  

O lançamento da forma de queijo segue normas rígidas e controladas pela federação.

Os queijos (pecorino, asiago, toma, parmigiano etc....), por possuírem formas e pesos desiguais, competem   em categorias assim subdivididas: Até 1,5 kg, até 3kg, até 6,5 kg e, acredite, até 16kg.
 

A forma de queijo, envolvida por uma corda (lembra o jogo do pião?), é lançada, com toda a força, por uma estrada campestre asfaltada, ou não.

Cada competidor lança o queijo oito vezes.

Vence aquele que, no final dos oitos lançamentos, alcançar a maior distância percorrida pelo queijo.

Um pormenor: O lançamento é medido, a cada jogada, desde seu início até quando a forma parar ou sair da estrada entrando pelo mato.  

Há inúmeros percalço: Buracos, curvas, subidas, descidas etc..

 Incríveis marcas: Presenciei lançamentos que alcançaram mais de 200 metros, desviando de curvas e buracos, antes de pararem definitivamente.
 

A forma de queijo é preparada meses antes e, no dia da competição, apresenta consistência e dureza incomuns, mesmo assim, durante a competição, uma ou outra peça quebra.

“Quando quebra o que acontece?”

 Minha pergunta fez os participantes sorrirem.

“Quando quebra cortamos em pedaços e comemos acompanhada de um bom vinho” 

Parece incrível, mas há uma verdadeira multidão, em toda a Itália, que se dedica com paixão ao “esporte” e que participa dos inúmeros campeonatos que são realizados em toda a Bota.

Quando você puder, participe de um desses fascinantes eventos

Bacco

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

VIVENDO E DESAPRENDENDO


 


 As viagens que fiz (muitas), os lugares que conheci (muitíssimos), os restaurantes que frequentei (incontáveis), deveriam servir para fugir de arapucas gastronômicas.



 Toda minha bagagem não foi suficiente para escapar, em Lisboa, justamente em Lisboa a capital que mais visitei na minha vida, da maior ladroagem dos últimos tempos.

O amigo Pedro, proprietário da ótima “Garrafeira Alfaia”, várias vezes apontou a “Marisqueira do Ramiro” como melhor restaurante de peixes e mariscos da capital portuguesa.

Em minha última passagem por Lisboa, resolvi conhecer o Ramiro.

Não deu... A casa tinha gente saindo pelo ladrão.

Lembrei que na Avenida da Liberdade, não lembro quantas vezes havia passado em frente de outra marisqueira: RIBADOURO.

Subi a avenida até o RIBADOURO e entrei para almoçar.

Devia ter seguido em frente...

O garçom, que me atendeu, deve ter notado que minha cara, além de cansaço, denotava alguns traços de imbecilidade.

Em poucos minutos me convenceu que deveria comer uma mariscada composta de 1 camarão tigre, 1 lagostim, 6 camarões médios (4 cm.), 6 pequenos e beber meia garrafa de um branco da casa.


Quarenta minutos depois e 86,60 Euro mais pobre, saia do RIBADOURO com a nítida impressão de ter sido alvo de chacotas por parte de todos os funcionários da casa.

“Acabamos de roubar mais um turista brasileiro”.

Realmente fui roubado, mas não havia como reclamar.
 

Confiando no garçom não conferi os preços, assim me foram cobrados 18,80 Euros pelo camarão tigre, 24 Euros pelo lagostim, que exibia no máximo 8 gramas de carne, 20,20 Euros pelos camarões médios ,13,60 Euros pelos camarões pequenos e, finalmente, 10 Euros pelo vinho.
 

Ah, ia esquecendo…acompanhava os crustáceos uma pequena xicara de maionese de supermercado.

Quando fiz notar que o valor era excessivo, o garçom, com a cara mais limpa do mundo, comunicou que todos os crustáceos eram vendidos por quilo e que os preços constavam do cardápio (quanto pesou cada item, é o mistério mais bem guardado do ROBADOURO)
 

O ROBADOURO, não é estrelado, o ROBADOURO é um boteco, localizado abaixo do nível da rua, sem toalhas (usa papel), copos de vidro, sem nenhum requinte, serviço primitivo; uma roubada.
Um local de terceira categoria com preços de estrelados Michelin

segunda-feira, 7 de abril de 2014

POLITICAMENTE INCORRETO


 


Quando escrevi, em tom de gozação, que os casais “da gema” fizeram um papelão em Montalcino, já esperava que alguém, da turma de nossos antigos, mas sempre atentos, patrulheiros, revelasse sua desaprovação.


 

B&B não escreve para o turista “Visite a Europa em 7 Dias e Paguem 6 de R$ 543,18” nem para o palerma  do frango com farofa que nos saguões dos aeroportos fica 40 minutos em pé na fila de embarque e com ar de cansaço e muita saudade, confidencia aos companheiros de espera: “Tô morrendo saudade do nosso feijãozinho com arroz” e tampouco para os que visitam uma das cidades mais emblemáticas do mundo dos vinhos e recusa veementemente provar o produto local, como se veneno fosse.
 

Eu , Dionísio, estou ca.....do e andando para os palheiros do "politicamente correto” que desejam um mundo em que é preciso pensar dez vezes antes de emitir um pensamento, uma opinião, ou uma simples gozação, que possa melindrar as famosas “minorias”.

1º) Palermas não são minoria, palermas são a esmagadora maioria.

2º) Acho, sim, que somente um palerma faz turismo em Montalcino, Barolo, Gevrey-Chambertin, Chablis etc. sem gostar de vinhos.

3º) Concordo com o patrulheiro quando escreve: “....por não serem "refinados" os indivíduos não poderiam estar em Montalcino?  “Poderiam estar”, como estiveram, mas se não possuírem mínimo de refinamento cultural perderão tempo e dinheiro com algo que jamais entenderão,

4º) Para os quatro palermas, em questão, melhor seria, então, sentar na Piazza Navona comer pizza em fatias e se deliciar ouvido o cantor "típico"  se esguelhando no macarrônico “Funiculì Funiculà”.

B&B escreve para o turista que quer conhecer Pietrasanta, Monticchiello, Stresa, Pitigliano, Malcesine etc.etc. e para os politicamente abertos “ma non troppo…”

Dionísio

  

domingo, 6 de abril de 2014

MONTALCINO FEST


 


O turista, que viaja pela Toscana, está interessado e busca, na belíssima região italiana, arte, beleza, história, cultura, vinho….

 Aquele que, especificamente, se dirige a Montalcino é sempre alguém interessado em conhecer o melhor do Brunello.

Estou certo?

Não, errado!

Acredite se quiser......Há quem procure Montalcino para beber cerveja....
 

Depois da fatídica experiência gastronômica no “Boccon Divino” e a desilusão vinícola proporcionada pelo “Brunello Bueno Pornô La Fiorita”, resolvemos jantar no menos badalado “Re di Macchia” de Montalcino.

Restaurante pequeno, sem muitas pretensões, honesto nos preços, especialmente os da carta de vinhos.

 O “Re di Macchia”, tocado pelo casal Roberta e Antônio, nunca surpreende, mas nunca delude.
 

Antônio, fanático pelo Brunello di Montalcino, é um ótimo conselheiro e em sua carta há verdadeiras relíquias.

A lista de garrafas antigas é bastante extensa (60 /70 opções), mas as etiquetas, dos anos 80 -90, não custam os olhos da cara.

Fugindo das marcas mais badaladas, ordenamos um Brunello Capanna 1995 que nos aliviou em 60 Euro.
 

Grande Brunello!

Grande vinho!

Quase no final do jantar, enquanto degustávamos um ótimo Armagnac, dois casais de brasileiros entraram no “Re di Macchia” e foram acomodados em uma mesa bem ao lado da nossa.

Dava para perceber, claramente, que os casais não eram turista “experientes” e muito menos refinados.

Nosso patrícios estavam longe do “Petto di Piccione alla Menta” e muito próximos do filé com fritas.
 

Em nosso grupo todos falavam razoavelmente bem o italiano, então, no idioma de Dante, sugeri prolongarmos nosso Armagnac: Os casais prometiam momentos hilários....

Um grupo, quando indagados por Antônio, se declarou, não brasileiro, mas “cariocas da gema”.

Antônio, com cara de pastel de queijo, perguntou: “Da gema?  É perto de São Paulo?”

Cinco minutos depois, quando os cariocas pararam de “detonar” São Paulo, Antônio, finalmente, entendeu que os brasileiros eram do Rio (duvido…).

“Tem pizza? Não tem? Não dá pra sair nem uminha? ”

O pobre Antônio explicou que seu restaurante não era especializado, não tinha forno apropriado e a pizza estava fora de cogitação.

A pizza foi esquecida e foi trocada por dois pratos de embutidos toscanos, duas massas e dois risotti.

O restaurante estava quase vazio e os longos minutos, que o paciente Antônio dedicou aos “da gema”, para conseguir comandar os pratos, não atrapalhou o bom andamento da casa.

Quando, finalmente, os quatro conseguiram escolher o que comer, Antônio fez a clássica pergunta “Qual vinho?”

“Não, vinhos não! Nos não bebemos vinho.... Duas cervejas e duas Coca Cola Zero”

Antônio, incrédulo, desanimado, abatido e quase se arrastando, desapareceu no interior da cozinha.

Você, que adora emoções fortes, quando passar por Montalcino procure o “Re di Macchia”, revele ao Antônio que é um “carioca da gema”, pergunte se há uma pizza e termine ordenando cerveja….

Ah, sim.....Não esqueça de comprar, antes, um colete à prova de balas
 

Dionísio