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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

COREN VAI PARA O RALO


 


Ao ler a matéria, de Bonzo, "Champagne Vai Para o Ralo", quase tive um ataque.
 
 

Não somos somente Massimo Martinelli e eu que consideramos o Champagne o melhor vinho do mundo, há milhões de enófilos, espalhados pelos continentes, que se alegram à simples menção da palavra: Champagne.
É não é pra menos.... Muitos conhecem o Barolo, o Puligny-Montrachet, Cheval Blanc, Barca Velha etc., mas todos conhecem o Champagne.
 

Todos os Champagne são bons?

Não, mas, para mim, na média são os melhores vinhos do planeta.
O nosso amigo, Giles Coren, se quis chocar e aparecer, conseguiu seu intento, caso contrário, se acredita naquelas bobagens que escreveu, é um palerma total.
Pesquisado, com alguma seriedade, é possível verificar que os números de 2016 mostram a Itália como maior exportadora de vinhos espumantes do mundo.
 

A França vem em segundo lugar e a Espanha completa o trio campeão.
Os três países exportaram 91% de todos os espumantes europeus.
A Itália, então, é a campeã?
Em parte, sim.
No quantitativo, a Itália, foi imbatível, mas, enquanto as exportações italianas alcançaram 1,2 bilhões de Euros, as francesas, com um numero muito menor de garrafas exportadas, atingiram mais que o dobro: 2,9 bilhões de Euros.
 

Responsável pela enorme diferença?
A palavra mágica: "Champagne".
Enquanto os italianos vendem aquela "tremenda bosta", chamada Prosecco, por 2/5 Euros, os franceses pedem e conseguem 15/18 com o Champagne.
 

O nosso amigo Coren, que desentope pia com Champagne, como sempre acontece com os críticos, formadores de opinião, sommeliers, jornalistas etc., deve ter recebido uma bela grana dos produtores de Prosecco para escrever uma bobagem igual aquela.
 

Coren pode continuar despejando Champagne na pia e beber Prosecco
Eu vou brindar, ao palerma, com uma bela taça de "Thibaud Vesselle Grand Cru" produzido pela vinícola Alain Vesselle, na aldeia de Bouzy.
O "Thimbaud Vesselle Grand Cru" é vinificado com 50% de Chardonnay e 50% de Pinot Noir.
 

Alain Vesselle é um "Propriétaire Récoltant" o que significa que produz o vinho somente com uvas produzidas e colhidas por ele.
Já no nariz, o Champagne de Vesselle, com seus aromas sutis e delicados, demonstra o quanto os outros espumantes, ainda, estão longe....
As bolhas finas e persistentes fazem sorrir os olhos.
 Na boca...... bem, na boca é um festival de emoções (alô Roberto Carlos...) de elegância, persistência e prazer de beber.
O melhor: O Champagne "Thibaud Vesselle Grand Cru" me aliviou em 22, 90 Euros (R$ 92).

Espero e torço que o palerma, Giles Coren, continue se deliciando com o Prosecco.
Bacco

 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CHAMPAGNE VAI PARA O RALO


Giles Coren, colunista de restaurantes, do The Times (London), comemora o declínio, na Inglaterra, das vendas de Champagne e, sem meias palavra, afirma que Champagne, na casa dele, vai para o ralo.
 

Também comemora o mercado que o Prosecco tomou do Champagne.

Para ele o Champagne produz dor de cabeça e ressacas homéricas , custa muito mais do que vale, causa irritação estomacal, requer taças que não cabem na máquina de lavar pratos.
 

O mais surpreendente, todavia, é sua afirmação de que o Champagne tem qualidade pior que o Prosecco.

No mesmo artigo (link https://www.thetimes.co.uk/edition/comment/champagne-is-only-good-for-cleaning-drains-dnwvxfxlx ) chega à conclusão que ricos idiotas consomem lixo tais como lagosta, filet mignon, foie gras, ostras e até toro (atum gordo japonês).

Não sou rico e acho, também, que sou não idiota, mas adoro tudo isso.

Até consigo concordar que se o sujeito não souber cozinhar lagosta, filet mignon, ostras (leia-se tempero e processo corretos) pode estragar o prato.

Lagosta, por si só, tem muito pouco gosto; precisa de sal, manteiga, limão, cerveja na panela (método sueco) para ter algum gosto.
 

 Outro dia comendo sanduíche de bacalhau do Alaska percebi pouco ou nenhum sabor.

 O peixe tinha carne branca, perfeita, mas sem gosto.

 Um pouco de limão, molho tártaro e "aquilo" virou um paraíso.

Champagne é mais caro que Franciacorta (por que não descobriram isso ainda???), ótimos Cavas, cremants, mas é imperioso reconhecer que os produtores de Champagne souberam trabalhar direitinho a imagem do produto.
 

Milhões e milhões de garrafas são produzidas todos os anos e, ainda assim, sempre que pensamos em excelência e o Champagne que nos vem à mente.

Champagne é algo especial e sempre desejamos abrir uma nova garrafa... não importa se houve decepção nas  30 anteriores.

Mr. Coren, possivelmente, deve ter bebido o segundo melhor espumante do mundo, feito com carinho e primor lá na serra gaucha, e perdido alguns neurônios para falar tão mal de Champagne.
 

 No mundo da crítica, eno-gastronômica, há estrelas demais, estrelas que nem poderiam ser consideradas satélites

Há ótimas opções baratas, inclusive há num blog, se não me engano.... "baccoebocca", vários artigos sobre os grandes e desconhecidos Champagne

Bonzo


domingo, 14 de janeiro de 2018

OS TEIMOSOS



A tragédia, que o pavoroso Chardonnay da Pico Maccario, causou ao meu paladar,

me fez pensar: "quais razões levam os produtores, de tradicionais países vinícolas, como Espanha, Itália e Portugal, a introduzirem em seu território castas "internacionais" (francesas)?

Tentar conquistar uma fatia do olímpico mercado da Cote D'Or, Bordeaux, Rhône etc.?

Nem pensar....

Competir com os produtores do novo mundo, Austrália, África do Sul, Chile, Argentina etc.?

Idiotice,

Alcançar a qualidade, fama e preço dos vinhos franceses seria, até, possível..... Em 2.389.

Os enormes espaços agricultáveis, o baixo custo de produção, a possibilidade de inundar o mercado com enormes quantitativos (milhões de garrafas), qualidade não excelsa, mas razoável e constante, tornam a competição com o Novo Mundo totalmente inviável.

Como se todos esses argumentos não bastassem, os espanhóis italianos e portugueses teimam em produzir ridículos vinhos afrancesados que ,quando não são ridículos, são caríssimos.
 

Exemplo: Gaja & Rey, Monteriolo Coppo, Ca' Del Bosco.

Todos os vinhos acima mencionados custam mais do que muitos 1er Cru de Chassagne-Montrachet, Puligny-Montrachet, Meursault....

O que considero mais patético, na teimosia de afrancesar os vinhos, é saber que Itália e Portugal (Espanha não é minha praia...) são berços de centenas de grandes uvas autóctones.

Na Itália há, vinificadas, normalmente, quase 500.

Em Portugal, apesar do pequeno território, o numero de castas conhecidas e catalogadas, ultrapassa com folga 350.
 

Confesso minhas "portuguesas" limitações vinícolas, mas viticultores que possuem, por exemplo, a Rabigato, Encruzado e Alvarinho, não precisariam perder seu tempo com a Chardonnay.

O mesmo discurso pode ser aplicado para os viticultores italianos.

Quem, em seu território, pode contar com Verdicchio, Garganega, Trebbiano D'Abruzzo, Malvasia Istriana, Timorasso, Cortese, Fiano, Carricante e dezenas de outras magníficas castas, não deveria fazer o papel de bobo vinificando a Chardonnay.
 

A Verdicchio e Garganega, apenas duas como exemplo, em 40 anos , quando os viticultores entenderam que qualidade era mais importante do que quantidade, fizeram passos gigantescos e se aproximam da excelência que os franceses demoraram séculos para alcançar  

Um único problema: A ganância.

Ganância, típico comportamento das vinícolas brasileiras, parece ter contaminado os produtores de alguns vinhos de sucesso, Timorasso, em primeiro lugar.
 

Todos os produtores de Timorasso elevaram, demasiadamente, seus preços e o vinho, que podia ser comprado por 12/15 Euros, há três anos, hoje só é encontrado por 18/20 e até 50 Euros caso a garrafa seja do viticultor Walter Massa.

Massa parece ter feito um curso na Geisse, Carraro, Valduga etc.

A milésima queixa, a ladainha de sempre de Bacco contra os produtores "afrancesados"?

Se alguém tivesse bebido, assim como eu tentei beber, aquela "tremenda bosta" (obrigado Dionísio) que a Pico Maccario, sem nenhum pudor, chama de "Chardonnay", faria o mesmo.
 

Vamos deixar de afrancesar, mal e porcamente, os vinhos do velho continente.

Bacco

 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

2018....MAIS K-Y


 


Li, com atenção, a matéria de Bacco "O Vôo do Barolo" e algumas informações, ali postadas, continuam martelando em minha cabeça.

Bacco informa que os viticultores, produtores de uva Nebbiolo da Barolo, vivem, atualmente, o paraíso das vinhas e dos cachos.

http://baccoebocca-us.blogspot.it/2017/12/o-voo-do-barolo.html
 
 
 

O motivo, como sempre, é muita grana que entra no bolso.

Os produtores de uva comemoram o preço dos cachos de Nebbiolo que atingiu, em 2017, o preço de 5 Euros o quilo.

Os produtores de Barolo, por outro lado, comemoram o sucesso nas vendas, os depósitos vazios e os preços que voam.
 

Nunca o Barolo atingiu, na média, valores tão elevados.

Garrafas que, nos anos 1970, eram trocadas, no mercado de Alba, por uma ou duas galinhas, custam, atualmente, 25/30/40 Euros

Em tempo: a galinha custa, hoje, 2 ou 2,10 Euros o quilo.....

Como sempre, martela em minha cabeça, uma dúvida: Se a uva custa 5 Euros o quilo, se o hectare de vinhas, na DOCG Barolo, vale, em média, 600 mil Euros, se a mão de obra na Itália, é muito mais cara (os encargos trabalhistas, idem) se a qualidade do Barolo é imensamente superior, por que o "Singular Quase Nebbiolo" da Lídio Carraro custa o dobro, ou o triplo, do bom vinho piemontês? 

Resposta: Roubalheira!

No Brasil se instituiu a república da roubalheira: todo mundo, quando pode , rouba todo mundo.

Na foto abaixo será possível constatar que para produzir uma garrafa de "Vinho Ícone" no Brasil, são necessários R$ 15,82.

 

Vinhos ícones não são e, por razões obvias, nem poderiam ser grandes vinhos.

 São vinhos que, com dificuldade, superam a soleira do ridículo.

 Para alcançarem à suprema categoria nacional (Ícone) recebem uma bela roupagem (etiqueta refinada, garrafa bonita, caixa de madeira etc.), homenageiam um patriarca, ou matriarca da vinícola que os produz, são fartamente recomendados pelas canetas de aluguel de nossos critico$, $ommelier$$, formadore$ de opinião e, invariavelmente, custam os tubos. 

Vamos dar uma colher de chá aos predadores nacionais?

Vamos aumentar o valor do custo em 50%?

15.82 + 50% = 23,73 R$. É quanto custa produzir a mais cara garrafa de vinho nacional


A Carraro vende o "Singular Quase Nebbiolo" por modestíssimos R$ 258, ou seja, quase 1000% do que custa produzi-lo

Roubalheira total, né?

Veja a foto do Champanhe "Vesselle Grand Cru" sendo vendida por 22,90 Euros e depois pesquise quanto custa uma garrafa do "Cave Geisse Brut 2002" (será?).
 

Não recorda?

R$ 800,00!

Alguém conhece aquele Champagne quase desconhecido e produzido naquela região, também, quase desconhecida da França, o Dom Perignon?

Pois é.....
 

Veja quanto custa (R$ 556,00).
 

 Se você comprou o Cave Geisse 2002, por insultuosos R$ 800, está apto para receber o diploma de "Eno-Asno-Master"
 

Você não é roubado somente pelos políticos corruptos, pelo estado gastador e sempre faminto por dinheiro, há no Brasil, uma afiadíssima e invisível faca que, sem nenhum remorso, corta seus bolsos com precisão cirúrgica.

Mais um exemplo?

 Um café expresso, em qualquer bar da Itália, custa 1 Euro (4 R$).

No "Muquifo Frans", reduto de lobistas brasilienses de 5ª categoria, custa 5,40 R$.

Você já se perguntou quantos expressos podem ser produzidos com um quilo de café?

Vou ajudá-lo: 140/145.

Com um quilo de café a "Muquifo Frans & Cia de outros Ladrões" faturam R$ 770.

 

Cin-Cin, feliz 2018 e não se esqueça de comprar algumas bisnagas de K-Y, afinal o Brasil é o paraíso das enrabadas.....

Dionísio