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domingo, 22 de outubro de 2017

100% ?



Esse artigo convite tem como o objetivo abrir um diálogo defendendo a tese (que pode ser contestada à vontade) que não há problema em usar certas tecnologias na produção de vinho, desde que se respeitem as leis da região e que não sejam exagerados os fatos de como foi feito o vinho.

Devemos de desconfiar de tudo e todos que se dizem puros e honestos.

Eu sou puro e honesto.
 
 

No ritmo de exploração de recursos naturais em que se encontra o planeta pouco sobrará para as próximas gerações, se houver alguma.

Vinícolas, em boa parte do planeta, usam uma saraivada de recursos naturais, mas já é um alívio saber que em boa parte da Europa, ao menos, irrigação não é permitida.

Temos tecnologia suficiente hoje para chegarmos a um vinho que aparenta (e bem) ter passado por vários anos em barrica, barrica do tipo que o sujeito quiser.

 Francesa, croata, inglesa, americana, russa... etc. Temos como adicionar aroma e gosto e textura a qualquer vinho na forma de vários compostos químicos, fenólicos e fermentos.

Praticamente qualquer característica de um vinho pode ser adicionada ou subtraída do produto.
 

 Tudo tem um custo, seja na qualidade ou mesmo no bolso, geralmente os dois.

Defendo que para muitos vinhos (aqueles até U$/EUR 15.00 -20.00 ou R$ 120.00 no Brasil mais ou menos) o uso e comércio de barricas (que oh, vêm de florestas!) são desnecessários e em muitos casos só incentivam o trambique na divulgação de informação da ficha técnica do vinho.

Lembro-me de marketing e propagandas que exaltam vinhos que passaram 14/18/24 meses em barricas francesas.
 
 

Todo mundo se empolga para comprar o vinho.

Claro, mas só não contam que somente 10%do volume total passou por barrica francesa com 30 anos de uso cuja madeira veio da ponte do Rio Kwai (a ponte original, não a das filmagens).

O que é bom é divulgado, o que não interessa a gente esconde. Ecos do passado e futuro.

No filme Mondovino vários produtores da Borgonha metem o pau no Michel Rolland.
 

 Eles podem e devem fazê-lo quando/se algum querido flying winemaker alterar alguma coisa numa obra de arte da região e ou esconder o fato, mas fora de lugares sagrados do mundo do vinho (basta ver que há uma cruz super antiga em Borgonha que é para ser trepada) eu apoio se essas técnicas (incluindo micro oxigenação) forem usadas, por exemplo, no Chile, Argentina, Uruguai, Austrália.... Usa.

Teríamos vinhos mais honestos, menos agressivos à saúde (e dá aldeído no povão), com até potencial para serem mais baratos (um ou outro tentaria manter os preços e aumentar margens, mas no coletivo o mercado trabalharia com preço menor (afinal não temos oligopólio no vinho) e ainda menos agressivos ao ambiente.

Os grandes vinhos do mundo (em geral Borgonha, Piemonte, Champagne, e basta) são quase um resultado puro da natureza, quase intocados.

Vinhos, assim como os humanos, não podem ser puros imaculados. Isso não existe, é utopia.
 
 

 Se alguém afirmar que o seu vinho é 100% honesto, já é um indício de picaretagem.

Bonzo

 

BOAS VINDAS



Hoje, Bonzo, inicia uma venturosa parceria com B&B.

Bonzo terá toda a liberdade de escrever o que quiser, quando quiser, sem ser censurado ou monitorado pela diretoria do blog.

O que Bonzo fará, com os inimigos que certamente amealhará, escrevendo no B&B, será de sua inteira responsabilidade, nos, da diretoria assumimos, apenas, o compromisso de depositar todos os dias 5 de cada mês, em sua conta na Kantonal Bank de Basel, 1 (um) Franco.
 
 

Bonzo, bem vindo e não gaste tudo..... Pense no futuro

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MAR LIMPO


O título poderia ser: "Miolo Picaretagens", mas detesto redundâncias.....
 

Acredito que a primeira vinícola picareta, que mergulhou comercialmente e com sucesso garrafas de espumante no mar, tenha sido a "Bisson" de Chiavari.

A Bisson , assim como a Miolo, nunca produziu vinhos que superassem a soleira da mediocridade, mas, em compensação, é mestre em marketing.

Explorando o fascínio de Portofino, a Bisson tratou, comercialmente, com a diretoria do "Parco Naturale Regionale di Portofino" e em 2009 poluiu as límpidas águas, da enseada de San Fruttuoso, com 6.500 garrafas de "Abissi"
 

Leia aqui.

A Miolo , assim como a Bisson, produz tremendas bostas, mas conhece, como poucos, os consumidores brasileiros e sabe que eno-bocó e caspa diminuem, mas nunca acabam....

A Miolo, com bastante atraso (o lançamento é previsto para novembro/dezembro), revela ao mundo sua "Tremenda Bosta Marina"
 

A Miolo, apesar de o Brasil possuir mais de 7.000 km de litoral, foi até a Bretanha para mergulhar seu espumante, espumante que, segundo Adriano Miolo, é aguardado ansiosamente no Brasil e na Europa

Leiam

"No Brasil e na Europa há grandes expectativas em relação à retirada das garrafas do mar. Estamos nos aproximando do final do ano, um momento expressivo para as vendas de espumantes e, sem dúvida, apreciadores e colecionadores vão querer ter em suas adegas e comemorações o primeiro produto brasileiro envelhecido em cave submersa”, comemora Adriano Miolo, superintendente do grupo."

Tenho sérias dúvidas e dificuldades em acreditar que "colecionadores vão querer ter em suas adegas e comemorações o primeiro produto brasileiro envelhecido em cave submerso", mas tenho certeza que o mar da Bretanha, livre das garrafas Miolo, ficará menos poluído.
 
 

Em minhas andanças, pela Europa,  nunca encontrei, em bares, restaurantes, enotecas, supermercados etc. uma única garrafa de vinho Miolo ou de outra vinícola nacional.

Em compensação em todos os bares da Itália nunca faltam as cachaças 51, Nega Fulô, Velho Barreiro etc.

Nossos viticultores deveriam aprender com as destilarias como exportar para a Europa.
 
 

Uma dica aos industriais do vinho:Parem de meter a mão, diminuam os preços e tentem produzir seriamente.

E por falar em preço...... Vamos fazer uma aposta?
 
 

Eu aposto que a "Tremenda Bosta Marina" custará mais de R$ 100

Dionísio


terça-feira, 17 de outubro de 2017

BRUNELLO III


 

 

Duas eram as razoes que me fizeram sorrir enquanto degustava o Brunello Canalicchio 2007 de Franco Pacenti
 
 

1ª) Não poderia deixar de sorrir ao degustar um ótimo Brunello di Montalcino digno de seu nome e de sua grande tradição vinícola.
 
 

O Brunello 2007, que Lorenzo gentilmente abrira, com sua intensa cor grená e reflexos alaranjados, alegrava o nariz com notas balsâmicas, especiarias e surpreendia o paladar com rara elegância, estrutura e austeridade.

Difícil encontrar um Brunello di Montalcino com características melhores e mais complexas.

A segunda razão, do sorriso, era o preço.
 

Explicando: O Brunello Canalicchio 2012 me custou 28 Euros e o 2007, 35 Euros.

Uma garrafa de Brunello di Montalcino, considerado e consagrado como um dos melhores vinhos do planeta, só pode ser comercializado 5 anos após a vinificação, produzido em um território entre os mais caros da Itália (um hectare de vinha custa, em média, 400 mil Euros), me aliviou, em média, 30 Euros/garrafa.

Pois bem, apesar de todas as considerações acima, o Brunello di Montalcino Canalicchio custa 5 vezes menos do que aquela tremenda bosta (Dionísio, obrigado pela perfeita definição) "Pax Rio 2016" que a Carraro vende, no Brasil, por escandalosos R$ 575.
 
 

Vinho Lidio Carraro PAX Rio 2016

R$ 575,00

Vinicola
Lidio Carraro
Tipo
Vinho Tinto
Teor Alcoólico
16%
Temperatura Ideal
16 a 18°C.
Volume
750ml
Visual
De coloração vermelho rubi e reflexos violáceos.
Olfato
Possui aromas de alcaçuz, ameixa seca, amora, cacau, café, frutas negras, mirtilo, notas balsâmicas, tabaco.
Paladar
Na boca é equilibrado, possui boa estrutura, elegante e taninos firmes.

 Um Tannat nacional por 160 Euros?

Deveria ser batizado: "Assalto Rio 2016"

O "Assalto Rio 2016", lançado por ocasião das "Olimpíadas do Cocô", reflete, com perfeição, o que foi a festa do Nuzman & Cia: um insulto-assalto aos brasileiros.
 
 

Enquanto os consumidores não boicotarem os produtores picaretas, que  empurram vinhos nacionais medíocres por preços infinitamente superiores aos praticados na Europa (Espanha, França, Itália, Portugal etc.), continuaremos bebendo tremendas bostas (obrigado, mais uma vez, Dionísio) e pagando os tubos por elas.

É vergonhoso que um Tannat nacional custe quase 400% a mais do que um Gevrey-Chambertin
 
 



Rouge - 2011 - 75 clUne très belle structure aromatique


45,00 € A l'unité

 

Ou, pasmem, custar mais do que 21 garrafas do Tannat francês "Madiran"
 
 

 



soit 7,50 € par bouteille

 

Revolta e desabafo terminados, voltemos ao Brunello di Montalcino

No longo papo, Lorenzo confirmou que a safra 2017 foi problemática, a quantidade de uvas 30% menor e o resultado final foi bom, mas o vinho resultou muito alcoólico.

Apesar de minha insistência, Lorenzo não revelou quanto de álcool havia em seu Brunello 2017, mas desconfio que os 15º foram superados com bastante folga

Agora é esperar para ver o que acontece.

Eu?
 

Bem, eu vou esquecer os vinhos de 2017.

Bacco