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quarta-feira, 23 de maio de 2018

GIOVANNI MANZONE


Retardei, de propósito, minha partida de Perno para poder visitar, na tarda manhã, a vinícola "Giovanni Manzone".

Uma bela caminhada matinal, ducha, barba feita, uma enrolada para bater fotos e..... perto das 10,30 entrava na "Giovanni Manzone".
 

Recebido calorosamente por Mauro fui direto ao assunto: Comprar algumas garrafas de "Rossese Bianco" e "Barolo Gramolere".

Enquanto degustava os dois vinhos a conversa fluía.

Amenidades, indagações sobre o "Rossese Bianco", considerações acerca do "Gramolere" e..... "Gosto muito do Gramolere do Alessandria de Verduno".

Ao ouvir minhas palavras Mauro sorriu "Pudera é originário das mesmas vinhas do nosso"
 

Olhei para Mauro que continuou "Minha tia, Flavia, irmã de meu pai, ao se casar com Gian Alessandria, levou, como dote, uma parte das vinhas do Gramolere. Os vinhos são muito parecidos".

Mais uma surpresa que explicava meu entusiasmo pelo Barolo dos Manzone.

Os Manzone são "Barolistas Tradicionalistas" exatamente como eu gosto e seu Gramolere reflete a potência típica das terras de Monforte D'Alba, que disputa com Serralunga D'Alba, o pódio dos Barolo mais longevos.
 

A potência, transmitida pelas características do terreno, não interfere na elegância e fineza dos aromas frutados e balsâmicos.

Na boca é fácil perceber a austeridade, a grande estrutura, o equilíbrio, a e complexidade.
 

 O final? Bem, o final quase inexiste......

Grande vinho que custou exatos 33 Euros.

O Langhe Rossese Bianco "Rosserto" merece um pouco mais atenção.

Comentei que conhecia bem o tinto "Rossese di Dolceacqua", mas jamais havia bebido o "Rossese Bianco".

Mauro, pacientemente, explicou que a casta, provavelmente originária das "Cinque Terre", fora "importada" em tempos remotos, mas perdeu espaço por sua baixa produtividade.
 

Os Manzone resgataram o Rossese Bianco da extinção e começaram a vinificá-lo, normalmente, a partir de 1982.

O "Rosserto" apresenta na cor amarelo-palha, aromas florais sutis, boa estrutura.

  Agradável ao paladar (não cansa) é fresco, persistente e envelhece muito bem.
 

O "Rossese Bianco" é mais uma casta resgatada ,assim como a Pelaverga, Gamba di Pernice, Timorasso e certamente alegrará as taças dos enófilos que buscam bons vinhos e não etiquetas famosas.

Bacco

 

 

segunda-feira, 21 de maio de 2018

PERNO



As aldeias das "Langhe" são dezenas.
 Em quase todas há um castelo, nenhuma possui mais de 3.000 habitantes e seus territórios são compostos de pequenos distritos que em italiano se chamam "frazione (i)".



No início do ano resolvi e não me perguntem a razão, me hospedar, por alguns dias, em Perno.

Perno é um minúsculo distrito de Monforte D'Alba.

Pouco mais de 50 casas, menos de 100 habitantes.

 Em suas colinas, todavia, nascem grandes Barolo e, no pequeno centro, há 4 bons agros-turismos, dois ótimos restaurantes e, ainda bem, nenhum chinês.....

 

Os restaurantes, que recomendo com entusiasmo: "L'Arco dei Nobili" e "La Repubblica di Perno".

"L'Arco dei Nobili", aos pés do castelo de Perno, é tocado, magistralmente, por Angela e o marido Marco

 

Angela, durantes longos anos, foi ajudante de Gianni Cauda na administração das panelas do consagrado "Dai Bercau" de Verduno.

Angela e Marco realizam, no "L'Arco dei Nobili", uma cozinha tradicional, sem muitas inovações, mas de grande qualidade. Confira.

As panelas da "La Repubblica di Perno" são tocadas por Marco Forneris.

Marco é um grande cozinheiro e demonstrou suas qualidades no famoso restaurante "La Libera" de Alba, onde foi sócio.

Ao vender "La Libera", Forneris, foi contratado, como chef, e assumiu a cozinha do estrelado Michelin "La Rei" de Serralunga D'Alba.

Marco privilegia a cozinha tradicional com toques de rara inventiva. Confira.

Nas três ocasiões, em que estive nos dois locais, vivi agradáveis surpresas saboreando pratos e, especialmente, esvaziando taças.

No "L'Arco dei Nobili", no aperitivo, antes do almoço, pedi um vinho branco sem especificar a casta ou o produtor.

Apenas um vinho branco.

Ao levar a taça ao nariz, a primeira surpresa.

 Aromas sutis de flores e cítricos revelavam um vinho nada comum ou banal.

Na boca, a certeza: Estava bebendo um belo branco.

Pedi para ver a garrafa e mais uma surpresa: "Langhe Rossese Bianco" produzido, em Perno, pela vinícola Giovanni Manzone.

Uma pequena pausa....

Quando recusei atender ao pedido de Walter para apontar os 10 melhores vinhos tintos italianos declarei que não me sentia seguro e nem capacitado para a tarefa.

O universo vinícola italiano é rico, vastíssimo e complexo.

Seria muita picaretagem posar de "sumidade" para enganar os que ainda conseguem ler minhas cantilenas.

Seria mais um enganador, um palhaço..... um Bilu-Didu-Tetéia-da-Vida.

Resolvi restringir a lista e elencar os vinhos do Piemonte onde eu declarava possuir vastos conhecimentos.

Enquanto olhava para a garrafa de "Langhe Rossese Bianco" percebi que meus "vastos conhecimentos" escorriam para o ralo.

O jantar, no "Repubblica di Perno", me reservou outra surpresa.

A noite chuvosa, o clima frio e os pratos muito condimentados, da tradicional cozinha piemontesa, pediam um bom tinto local.

Revelei meu desejo e me foi servida uma taça de Barolo e...... que Barolo.

A primeira taça evaporou rapidamente.

 Veio a segunda.

Não contente, ordenei a terceira e antes que minha mente e olhos falhassem, pedi para ver a garrafa.

Surpresa!

O "Barolo Gramolere 2012" , que tanto me empolgara, era produzido em Perno por Giovanni Manzone a mesma vinícola do ótimo "Langhe Rossese Bianco".

Terminei o jantar e mais leve do que nunca, enfrentei os 50 passos que separavam de minha cama.

 

Próxima matéria: Visitando a "Giovanni Manzone" para descobrir mais sobre o "Barolo Gramolere" e o "Rossese Bianco"

Bacco

 

 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

PANGLOSS-VIRUS






Lembram do doutor Pangloss, personagem do livro "Cândido" do genialVoltaire?
 
 
 


Pois é, parece que Pangloss continua "vivo", atual e, assim como um vírus, ataca as mentes menos protegidas que ignoram, ou querem ignorar, a realidade.

O "Pangloss-Virus" parece ter atingido severamente os neurônios do nosso sommelier campeão.

Como se não bastassem as ameaças de me levar aos tribunais (quantas saudades da inquisição....) o mais premiado abridor de garrafas do Brasil, em sua catilinária, continua acerbo, agressivo, contundente e diria.....  Profético, até, ma non troppo

 

 "O mundo do vinho no Brasil, lentamente, está mudando, sim! E você gostando, ou não, profissionais como a Gabriele Frizon, a Daniela Bravin e eu somos parte dessa mudança. O primeiro aspecto dessa mudança, é que não aceitamos mais donos da verdade, pq vinho é bebida e prazer, não religião. Mais uma vez, com sua postura obtusa, você se coloca no mesmíssimo nível dos enotontos que tanto critica".

Foi exatamente este trecho que me convenceu: O cérebro do nosso rei das taças foi atacado pelo "Pangloss-Virus".

Não conheço os dois asseclas, Frizon & Bravin (dupla sertaneja?), mas acredito que ambos se deliciem, o dia inteiro, ouvindo Edith Piaf em "La Vie en Rose".

https://www.youtube.com/watch?v=tW892QvetRg&list=RDtW892QvetRg&start_radio=1#t=0

Infelizmente, para o trio róseo, as mudanças, no mundo do vinho brasileiro estão ocorrendo, sim, mas para pior.

Infelizmente, mais uma vez, nem nosso sacador de excelsas rolhas, nem a dupla Frizon & Bravin e apesar de mim, o cenário do vinho, no Brasil, nada tem de rosa; está mais para cinza-chumbo

Alguns dados:

Comercialização de vinhos brasileiros no mercado interno (em litros) de janeiro a junho
 
2016
2017
2017/2016
Vinhos tranquilos
97.452.399
88.010.459
- 9,69%
Espumantes
4.581.555
3.966.933
- 13,42%
Suco de uva 100%
46.619.421
44.869.217
- 3,75%
Total global
148.653.375
136.846.609
- 7,94%

Fonte: Cadastro Vinícola – Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi-RS)  

 Nosso Pangloss vinícola deve estar orgulhoso com a mudança na comercialização de vinhos brasileiro no mercando interno: em 2016/2017 as vendas caíram 8%
 

Nem os elogios ao Marselan e ao Talento conseguiram frear a onda cinza-chumbo que ameaça o mercado nacional.

Vejamos agora a foto que copiei do jornal espanhol "El Pais"

 


O nosso campeão e seus asseclas, para consolidar as mudanças em curso, precisarão viver, mais ou menos, até o ano de 2185 para ver o Brasil alcançar o consumo de vinho do Paraguai que é de 5,25 litros per capita.

Mas há uma má notícia: A média do consumo nacional, de quase 2 litros, cai para apenas 0,7 litros per capita se forem excluídos, das estatísticas, os vinhos de garrafão (Sangue de Boi, Mioranza, Cantina da Serra, Chalise e outras raridades de nossa viticultura)

Não acredito, então, gostando eu, ou não, que o trio de profissionais
 "La Vie en Rose" consiga, com seus cursos (que custam uma grana preta), mudar a cor cinza-chumbo do mercado vinícola brasileiro.

Brasileiro, gostem, ou não, nossos irados sommeliers,  adora cerveja
 e....... estamos conversados.
 

Dionísio.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O MOLAMBO




Tive, ao longo dos anos, vários pontos de atrito e discordância com nosso eterno campeão, Diego Arrebola.

Arrebola vive do vinho e, logicamente, puxa a sardinha para sua taça e, diga-se, o faz bem.

B&B é um blog amador que informa e critica, à sua maneira (irreverente), vinhos, restaurantes, bares, enotecas, produtores, importadores, picaretas e farsantes do vinho etc.

 

B&B é uma pedra no sapato dos arrivistas do mundo do vinho.

 

Nos, de B&B, criticamos, duramente e sem receio, os que se aproveitam do pouco conhecimento dos enófilos brasileiros para posar de "sábios" e cagar sentenças no mundo das uvas.

Não somos profissionais, não temos "panelas", não frequentamos degustações ou eventos patrocinados por produtores e importadores, não viajamos por conta de ninguém, desprezamos, solenemente, "bocas-livres", pagamos todos os vinhos que bebemos, assim, temos total liberdade para criticar, por exemplo, Diego Arrebola, quando ele , nas redes sociais, enaltece e recomenda, em nossa opinião, vinhos ridículos.

Uma pequena pausa esclarecedora.

Em todos os países do planeta os sommeliers, importantes, renomados e que administram adegas de locais famosos, são assediados e bajulados por produtores, representantes e distribuidores que sabem, perfeitamente, quanto eles são importantes para o sucesso, ou não, de uma etiqueta.

Sommelier renomado pode construir ou destruir a imagem de um vinho.

Imagine, por exemplo, o Zé das Couves, que nunca consegui colocar seus vinhos nem no bar da esquina, ver suas etiquetas na carta da "Enoteca Pinchiorri", "La Lameloise", "La Ciau del Tornavento", ou até mesmo no "Defilla" de Chiavari.

Passa do inferno das vinhas para o paraíso (cofres) das taças de cristal Zalto.

É só chegar, propor um bom preço, bom prazo, verba de propaganda, desconto extra?

Nem em sonho.... É preciso "seduzir" o sommelier encarregado pela elaboração da carta de vinhos.

E qual é o mais eficiente meio de sedução?

Alguns preferem Dólares, outros, Euros, outros mais, Libras....

 

Há mil maneiras de entregar o "ouro": Viagens, presentes, convites, excursões etc., mas a que mais funciona é sempre a "bendita & bem-vinda" comissão em grana viva.

Como é realizada a negociação?

Quando for sommelier campeão,  eu revelo.

Mas em todos os países é assim?

Não!

Há um país onde a probidade e a honestidade imperam e os sommeliers são incorruptíveis.

Se você pensou na Noruega, além de desinformado não é um patriota.

É o Brasil!!!!!

 

Certa vez, jocosamente, perguntei ao Arrebola, no Facebook, quanto tinha levado para elogiar o Talento da Salton e o Marselan da Perini.

Pra quê..... A reação do nosso campeão foi raivosa, desproporcional.

Ok Dionísio Ramos, já deu... Como já disse, respeito, mesmo, suas opiniões, mas não dá para debater com essa profusão de insultos gratuitos de sua parte. 1 - Não ganho para falar mal ou bem de vinhos. Você pode duvidar de mim, pode até insinuar o contrário. Mas, do ponto de vista legal, você sabe que não pode AFIRMAR isso como você fez aqui. Estou ciente de que outros já te processaram no passado, e tiveram dificuldades por conta de você não estar aqui no Brasil, mas não me custaria nada entrar para o clube e buscar um acerto judicial com você
 

Perdi noites e noites de sono, entrei em depressão, deixei amigos e família, vaguei pelas noites como um molambo qualquer (Augusto Mesquita), mas, finalmente, reencontrei o desejo de beber.
https://www.ouvirmusica.com.br/rosa-passos/1008263/

Beber, não um Marselan Da Perini ou um Talento Da Salton do Arrebola, mas os bons vinhos, aconselhados por Bacco, da "Lista de Walter".

By the way: Nas aulas da WSET são degustados Marselan e Talento?

Nem pensar (olhe as fotos)

 
 

 As duas jóias da viticultura nacional permanecem guardadas, sob sete chaves, na adega particular do nosso campeão.

Continua

Dionísio